Economia

Como a economia circular está redesenhando a indústria do aço

Executivos de Gerdau e Randoncorp mostram como a cadeia do aço se consolida como vetor de competitividade, impacto social e desenvolvimento econômico no Brasil

Marcos Cantarino (Gerdau), Joarez Piccini (Randoncorp) e Pedro Torres, da Gerdau: líderes discutem o papel do aço reciclado e da circularidade no futuro da indústria brasileira

Marcos Cantarino (Gerdau), Joarez Piccini (Randoncorp) e Pedro Torres, da Gerdau: líderes discutem o papel do aço reciclado e da circularidade no futuro da indústria brasileira

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Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 18h05.

A cadeia do aço vai muito além de altos-fornos, bobinas e estruturas metálicas. Quando organizada sob a lógica da economia circular e da inovação tecnológica, ela se torna um motor estratégico de desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Foi esse o mote do painel “Da reciclagem ao desenvolvimento de produtos tecnológicos — a cadeia do aço como uma indústria estratégica para o desenvolvimento do Brasil”, que reuniu executivos da Gerdau e da Randoncorp na Brazil House durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Ao longo do debate, ficou claro que o impacto do setor não se limita à redução de emissões. Ele passa pela geração de empregos formais, pelo fortalecimento da indústria nacional, pela eficiência energética e pela criação de soluções tecnológicas capazes de transformar cadeias inteiras — da construção civil ao transporte pesado.

Reciclagem como pilar industrial

Na Gerdau, a reciclagem se tornou um modelo de negócio. A empresa opera hoje como a maior recicladora da América do Sul, com processos produtivos baseados majoritariamente no reaproveitamento de sucata metálica — uma escolha que reduz drasticamente as emissões de carbono quando comparada à produção tradicional com minério de ferro e carvão.

“Hoje, quando produzimos aço a partir de sucata, emitimos cerca de 500 quilos de CO₂ por tonelada. No processo tradicional, esse número pode chegar a duas toneladas”, afirmou Marcos Cantarino, gerente de Relações Institucionais da Gerdau. “Isso faz toda a diferença do ponto de vista climático e energético.”

A estratégia envolve acordos com a indústria automotiva, coleta de sucata pós-consumo e parcerias com governos estaduais — como em Pernambuco, onde o aço reciclado já tem aplicação direta na construção civil.

A Randoncorp transforma aço em reboques, semirreboques, sistemas de suspensão e freios

Impacto que também é social

Para além dos ganhos ambientais, o painel reforçou que a cadeia do aço sustenta um ecossistema econômico de grande escala. São milhares de empresas, milhões de toneladas processadas e um volume expressivo de empregos diretos e indiretos.

“O impacto dessa indústria não é apenas ambiental. Ele é profundamente social, porque estamos falando de empregos formais, renda e qualidade de vida para milhões de pessoas”, destacou Pedro Torres, diretor global de Comunicação Corporativa, Relações Institucionais e Sustentabilidade da Gerdau. “O aço está na base do desenvolvimento de um país.”

Circularidade na prática

Na Randoncorp, a circularidade ganha forma concreta na linha de produção. A empresa transforma aço em reboques, semirreboques, sistemas de suspensão e freios — e devolve ao sistema a sucata premium gerada nesse processo, fechando o ciclo industrial.

A Gerdau opera hoje como a maior recicladora da América do Sul, com processos baseados no reaproveitamento de sucata metálica

“Compramos o aço, transformamos em produto e devolvemos a sucata de alta qualidade para a cadeia. Isso é circularidade real, não conceito abstrato”, afirmou Joarez Piccini, diretor de Relações Institucionais da Randoncorp e presidente do Conselho do Banco Randon.

Segundo ele, a eficiência do corte, o uso máximo do material e a redução de desperdícios são decisões orientadas por tecnologia. E a inovação vai além do processo: uma das cinco verticais da empresa é dedicada ao desenvolvimento tecnológico, com destaque para o uso de minerais como o nióbio em escala nanométrica.

“Ao reduzir esses minerais em partículas muito pequenas, conseguimos produzir caminhões e trailers mais leves, mais eficientes e com menor impacto ambiental e econômico ao longo de toda a vida útil”, explicou Piccini.

Energia, inovação e competitividade

Outro ponto central do debate foi o uso de energia renovável na produção do aço. A Gerdau já combina sucata metálica com carvão vegetal de florestas plantadas e eletricidade de fontes renováveis — em alguns casos, com até 80% da matriz energética limpa.

“Não se trata apenas de emitir menos. Em algumas operações, conseguimos capturar carbono ao longo do processo, o que muda completamente a lógica ambiental da produção industrial”, disse Marcos Cantarino.

O resultado dessa equação — reciclagem, energia limpa e inovação — é um aço mais competitivo, alinhado às exigências globais de rastreabilidade, passaporte digital de produto e redução de emissões, especialmente no mercado europeu.

A mensagem final do painel foi de que quando a cadeia do aço investe em tecnologia, governança e circularidade, ela deixa de ser apenas uma indústria de base e passa a atuar como alavanca estratégica para o desenvolvimento sustentável do Brasil.

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