Economia

Dívida pública federal cresce 18% em 2025 e chega a R$ 8,6 trilhões

Em 2024, o estoque havia fechado em R$ 7,316 trilhões, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 17h20.

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O estoque da dívida pública federal cresceu 18% em 2025 e encerrou o ano em R$ 8,635 trilhões, em valores nominais. Os dados foram divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional, que apontou o cenário de juros altos como um dos fatores que contribuíram para a elevação. Em 2024, o estoque havia fechado em R$ 7,316 trilhões.

O montante representa a dívida do Tesouro Nacional e exclui indicadores de estados, municípios, empresas estatais e títulos emitidos pelo Banco Central. Estes componentes são normalmente considerados por especialistas ao avaliar a solvência do país. A dívida apurada ficou dentro do intervalo revisado pelo Tesouro, entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões, anunciado em meados de 2024.

A emissão de dívida pública é uma estratégia usada pelo governo para financiar o déficit orçamentário e refinanciar débitos anteriores.

Ao fim de 2025, a reserva de liquidez — montante mantido pelo governo para cobrir vencimentos futuros — foi estimada em R$ 1,187 trilhões, o equivalente a cerca de 9% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o Tesouro Nacional, esse valor garante capacidade de pagamento para os próximos sete meses.

“Essa reserva é suficiente para cobrir todo o primeiro semestre (R$ 764,1 bi, em mercado), com alguma folga para os vencimentos do segundo semestre de 2026”, explica o Tesouro.

Alta em reserva de liquidez

No relatório, a Secretaria do Tesouro Nacional informou que houve aumento na reserva de liquidez, o que ampliou a cobertura dos vencimentos da dívida em número de meses.

A dívida pública federal é detida por diferentes agentes, como instituições financeiras, fundos de investimento, contas de Previdência, governos, seguradoras e pessoas físicas.

A expansão de 18% no estoque ocorreu em um contexto de elevação da taxa Selic, taxa básica de juros da economia, que influencia diretamente quase metade da dívida. Definida pelo Banco Central, a Selic está fixada em 15% ao ano, o maior patamar registrado em quase duas décadas.

Segundo o relatório, “a dinâmica dos juros e dos títulos públicos locais foi fortemente influenciada pelas expectativas acerca do fim do ciclo de alta da Selic e posterior início do afrouxamento monetário”.

A publicação também destaca o forte interesse do mercado por títulos da dívida, o que levou a um aumento no volume de emissões ao longo de 2025.

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