Economia

Câmbio a R$ 5,30 abre espaço para queda de juros nos próximos meses, diz Haddad

A Selic está em um patamar de 15% ao ano, e o Comitê de Política Monetária se reúne nesta semana para decidir sobre a taxa de juros brasileira. A expectativa do mercado é pela manutenção

Haddad: ministro afirmou que vê um horizonte de equilíbrio entre juros e câmbio (Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda/Flickr)

Haddad: ministro afirmou que vê um horizonte de equilíbrio entre juros e câmbio (Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda/Flickr)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 16 de setembro de 2025 às 10h51.

Última atualização em 16 de setembro de 2025 às 15h34.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 16, que a queda do dólar ao menor valor desde junho do ano passado abrirá espaço para que o Banco Central inicie o ciclo de corte de juros.

"Hoje estamos com o câmbio a R$ 5,30. O impacto do câmbio na inflação é notável, e com essa queda, acredito que vai se abrir espaço para a queda dos juros", afirmou no evento J. Safra Investment Conference 2025.

A Selic está em um patamar de 15% ao ano, e o Comitê de Política Monetária se reúne nesta semana para decidir sobre a taxa de juros brasileira. A expectativa do mercado é pela manutenção.

O chefe da Fazenda relembrou que, no início do ano, analistas apontavam para um dólar a R$ 7, R$ 7,50, e que ele apostava que o câmbio não fecharia o ano acima de R$ 5,70.

Haddad reforçou que não é papel do Banco Central, mas que "tudo leva a crer" que o ciclo de cortes de juros vai se iniciar nos próximos meses. Ele disse que esse cenário favorecerá a economia brasileira.

"Tenho a impressão de que vamos abrir um ciclo de queda de juros, e a economia vai reagir muito rapidamente. [...] O apetite de investir no Brasil vai se manifestar com muito vigor com o ciclo de queda de juros", disse.

O ministro disse que a "boa nova" é que será possível olhar para um horizonte de "equilíbrio entre juros e câmbio" mais favorável para o Brasil.

"Acredito que, superada essa fase do primeiro semestre, com uma inflação alta, que preocupou muito o presidente, vamos entrar em uma trajetória de queda de juros com sustentabilidade", afirmou.

Meta fiscal e aumento do PIB potencial

O chefe da Fazenda reforçou que a ideia é chegar até o fim de 2025 com a aprovação de projetos no Congresso, como o do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), e sem "pautas-bombas", para que a meta fiscal seja alcançada.

"Se chegarmos até o fim do ano como chegamos em 2023 e 2024, vamos cumprir a meta. Vamos concluir o mandato com uma solidez fiscal bem superior àquela que recebemos", disse.

Haddad afirmou ainda que acredita que, nos próximos anos, o PIB potencial do Brasil superará os 2% estimados por bancos e organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Para o ministro, o principal responsável por essa mudança será a reforma tributária, que começará a entrar em vigor a partir do próximo ano.

"É uma das maiores conquistas da sociedade brasileira, com ganho de produtividade da economia. Penso que a economia pode surpreender quando a reforma for concluída", afirmou.

O ministro disse ainda que o governo está discutindo com o Congresso um conjunto de propostas que terão impacto na produtividade, como as reformas das leis de seguro, creditícia e de economia digital.

"Vamos terminar o mandato com a menor inflação de um mandato desde o Plano Real. Será a primeira vez que a inflação acumulada ficará abaixo de 20%, com uma média de 3% de crescimento do PIB e o avanço dos investimentos", disse.

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