Brasil tem primeira melhora em ranking de competitividade desde 2010

O Brasil está no 60º lugar entre 63 países, na frente apenas de Croácia, Mongólia e Venezuela, no estudo anual da escola de negócios suíça IMD

São Paulo – O Brasil subiu uma posição na edição 2018 do Anuário de Competitividade Mundial (World Competitiveness Yearbook – WCY), divulgada nesta quarta-feira (23).

Foi a primeira melhora relativa desde 2010 no ranking divulgado há 30 anos pela escola de negócios suíça IMD (International Institute for Management Development).

O Brasil subiu da 61ª para a 60ª posição entre 63 países e está na frente apenas de Croácia, Mongólia e Venezuela.

O estudo considera 340 dados tanto estatísticos (dois terços de peso no índice), quanto de pesquisas com executivos (um terço do peso) em 4 pilares.

Como o ranking é relativo, não basta melhorar, é preciso melhorar mais do que os outros, e há fatores que se retroalimentam.

“Está tudo interligado. Os países entram em círculos virtuosos ou viciosos de competitividade, ligados a questões estruturais que necessitam de planos mais longos”, diz Ana Burcharth, da Fundação Dom Cabral, que é responsável pela pesquisa no Brasil.

Os Estados Unidos subiram três posições e assumiram a liderança neste ano, seguidos por Hong Kong, em um top 10 dominado por países desenvolvidos.

Performance econômica

A melhora do Brasil foi puxada por um avanço de 5 posições no pilar de Performance Econômica, já que 2017 foi marcado por inflação baixa, com pulo de 16 posições no item “preços”, e o fim da recessão.

Outro fator que ajudou foi o timing da parte qualitativa. A pesquisa com 179 executivos foi feita entre fevereiro e abril, pouco antes de serem rebaixadas as previsões da retomada econômica.

“O ganho de uma posição em relação a 2017 se deve a uma mudança positiva no PIB e ao momento em que os dados qualitativos foram coletados. Não houve avanços significativos da competitividade brasileira”, resume o material do IMD.

Para os executivos, o dinamismo da economia e as atitudes “abertas e positivas” das pessoas são nossos melhores diferenciais de competitividade. Já a competência do governo e a cultura de pesquisa e desenvolvimento são os piores.

Apesar das dificuldades, o Brasil teve melhora também em comércio internacional e se destaca pela capacidade surpreendentemente estável de atrair investimentos estrangeiros.

Eficiência do governo e das empresas

Com exceção do já citado Performance, os outros pilares pouco se movimentaram neste ano.

O pior segue sendo Eficiência do Governo, que considera itens como Finanças Públicas e Estrutura Social, e onde o Brasil é penúltimo lugar mundial atrás apenas da Venezuela.

“Um dos problemas da América Latina é uma visão de curto prazo em que qualquer tipo de reforma foca no crescimento econômico e não em melhorar instituições”, diz Jose Caballero, economista do centro de competitividade do IMD.

Uma exceção neste caso é o Chile: no 35º lugar do ranking geral, é de longe o país da região mais bem posicionado.

O Brasil é historicamente melhor em Eficiência Empresarial do que de governo, mas houve queda do 49º para o 50º lugar neste pilar.

Caíram substancialmente itens como Práticas Gerenciais (que foi de 41º para 53º) e Atitudes e Valores (de 43º para 54º).

A melhor notícia neste pilar é a escalada da 42ª para a 35ª posição no item mercado de trabalho, com influência do aumento da população economicamente ativa e melhora da motivação dos funcionários.

Avanços de 3 e 7 posições nos indicadores de opinião sobre a legislação trabalhista podem já estar incorporando o efeito da reforma trabalhista em vigor há cerca de 6 meses.

Infraestrutura e futuro

Outra vulnerabilidade brasileira histórica é a Educação. Neste ano, o país caiu 5 posições e é penúltimo lugar mundial apesar do ser o 10º que mais gasta na área em proporção ao PIB (Produto Interno Bruto).

“As habilidades da população importam muito e convivemos simultaneamente com problemas do século XIX, como analfabetismo, e do século XXI, como capacitação digital”, diz Ana.

A mesma coisa acontece na infraestrutura física, onde melhoramos em densidade de estradas e no custo da eletricidade industrial, mas somos um dos piores em infraestrutura de transporte.

Chama atenção o avanço de 3 posições, do 51º para o 48º lugar, em infraestrutura tecnológica. O país vai bem em números de redes de celular e conectividade, por exemplo.

Mas é muito pouco para considerar o Brasil minimamente bem posicionado para os desafios e potencialidades da Quarta Revolução Industrial.

“Este momento de transformação abre uma janela de oportunidades para os países que estão aquém da fronteira tecnológica porque caem as barreiras de entrada, emergem novos atores e é possível tirar o atraso. Essa ainda não é uma guerra perdida [para o Brasil]”, diz Ana.

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