tubarões-epaulette: espécie combina reprodução eficiente, baixa demanda energética e alta resistência ambiental (Reprodução)
Redatora
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 07h02.
Os tubarões-epaulette (Hemiscyllium ocellatum), conhecidos como “tubarões-andantes” pela capacidade de se locomoverem no fundo do mar e até em áreas expostas, podem reproduzir sem aumentar seu gasto energético. A descoberta, publicada na revista Biology Open, chamou atenção da comunidade científica.
Os pesquisadores observaram que, durante a produção e deposição dos ovos, o consumo de energia permaneceu estável. A pesquisa mediu diretamente o custo metabólico do ciclo reprodutivo, algo pouco documentado entre tubarões.
O estudo foi conduzido por uma equipe da Universidade James Cook, na Austrália, e analisou fêmeas mantidas em cativeiro. Para monitorar o metabolismo, os cientistas mediram a taxa de consumo de oxigênio e acompanharam parâmetros hormonais e sanguíneos ao longo da postura.
Os dados indicaram que o metabolismo permaneceu constante durante toda a formação dos ovos, contrariando a hipótese inicial de que a reprodução teria alto custo energético.
Segundo a autora principal do trabalho, Carolyn Wheeler, o ovo complexo da espécie sugeria um esforço metabólico maior. Já a bióloga marinha Jodie Rummer, coautora, afirmou que o tubarão-epaulette parece otimizar a energia durante a reprodução.
Em muitas espécies, períodos de estresse ambiental levam organismos a priorizar a sobrevivência e reduzir a reprodução. O tubarão-epaulette apresentou o comportamento inverso: continuou botando ovos mesmo sob pressão ambiental.
Os autores destacam que mensurar o custo metabólico da reprodução em tubarões é raro e pode ajudar a rever modelos utilizados para estudar peixes cartilaginosos.
Tubarões são considerados indicadores da saúde de recifes e ecossistemas costeiros. A resiliência reprodutiva observada pode favorecer a espécie em um cenário de mudanças climáticas e aquecimento dos oceanos.
O professor Madoc Sheehan, da Universidade James Cook, que não participou da pesquisa, afirmou que os resultados reforçam a capacidade da espécie de enfrentar alterações ambientais.
Os tubarões existem há milhões de anos e atravessaram eventos climáticos extremos, o que levanta novas hipóteses evolutivas sobre adaptação. Como próximo passo, a equipe pretende estudar populações selvagens para comparar o ritmo reprodutivo em ambiente natural e entender quanto tempo fêmeas levam para depositar ovos na natureza.