Ciência

Filhote de elefante-marinho retorna a natureza após período de reabilitação no Paraná

Reinserção marca a primeira soltura da espécie em 10 anos de atuação do projeto de monitoramento das bacias no estado

Animal deve percorrer 2.500 km para chegar até a área de reprodução da espécie, na Península de Valdés, na Argentina

Animal deve percorrer 2.500 km para chegar até a área de reprodução da espécie, na Península de Valdés, na Argentina

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 15h34.

Última atualização em 27 de janeiro de 2026 às 15h48.

Um filhote de elefante-marinho foi solto no litoral do Paraná nesta quarta-feira, 21. Ele foi resgatado no final de 2025 e é o primeiro da espécie a ser reinserido pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) após 10 anos de atuação no estado. 

O animal foi encontrado em 26 de dezembro pela Polícia Militar do Paraná durante uma ação de monitoramento da orla em Balneário de Monções (PR).

O processo de reabilitação foi realizado pela equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR) por meio do PMP-BS.

Caso raro

Segundo a coordenadora do projeto, Camila Domit, o filhote brasileiro pode também ser paranaense.

Ela explica que a passagem da espécie pela costa do país é rara e o nascimento deles no território nacional é inédito para ciência. 

O fato desse animal estar aqui, o fato dele ser reabilitado e ser devolvido à natureza nos relembra que temos um compromisso com o oceano. O que nós estamos fazendo aqui, de alguma forma também vai influenciar toda a biodiversidade marinha.

Como foi a reabilitação do elefante-marinho?

Após os procedimentos padrão de resgate, o animal foi direcionado para os cuidados do LEC-UFPR. Os pesquisadores do laboratório explicam que o filhote chegou debilitado e com quadro de pneumonia. 

Durante sua estadia no Paraná, ele passou por exames e foi medicado. A médica veterinária que acompanhou o processo, Juliana Bresciani, explica que ele também passou por uma dieta reforçada. 

Com o tratamento que a gente instituiu, ele melhorou clinicamente e, agora, no finalzinho da reabilitação ganhou uma quantidade maior de peixes para ganhar um pesinho e estar em uma condição boa de retornar à natureza.

Aos quatro meses de vida, o elefante-marinho é um macho de 68 kg e 1,80 m de comprimento. 

Qual destino do animal?

O filhote foi devolvido para o oceano na região do Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, a 14 quilômetros da costa paranaense.

A expectativa é que ele viaje 2.500 km até a Península de Valdés, na Argentina, região onde a espécie se reproduz.

Camila explica que o local para soltura foi escolhido para evitar o contato do bebê elefante-marinho com humanos e contaminação com doenças de outros animais. 

Ao longo do seu percurso, ele deve realizar paradas em ilhas entre o Brasil, Uruguai e Argentina para descansar e se alimentar. 

Juliana explica que os primeiros dias de nado são fundamentais para que ele aprenda a se comportar na natureza.

Esses primeiros dias realmente são de adaptação para ele entender o novo ambiente que ele está, aprender a caçar... Porque ele ficou um tempo em reabilitação, então aprender a buscar seu próprio alimento e a partir disso seguir o rumo dele para voltar a região dele.

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A antena vai monitorar o trajeto e a saúde do animal nos próximos seis meses (Foto: LEC-UFPR)

Monitoramento do filhote durante o percurso 

Os pesquisadores inseriram um transmissor satelital para monitoramento na cabeça do filhote. O aparelho funciona como uma antena e deve se desprender sozinho em cerca de seis meses. 

Até lá, ele vai enviar informações sobre o deslocamento e comportamento do animal. Entre os dados analisados estão a profundidade e padrões do nado, tempo de submersão e rotas migratórias. 

O coordenador geral do PMP-BS nos trechos dos estados do Paraná e Santa Catarina, André Barreto, explica a importância das informações para a ciência oceânica e conservação da biodiversidade. 

Ainda sabemos pouco sobre a espécie e os primeiros deslocamentos desses animais, assim como é essencial compreender como será a readaptação após a reabilitação.

O transmissor foi instalado em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

SAIBA MAIS: Pernambuco volta a monitorar tubarões após 11 anos

O que é o PMP-BS?

O PMP-BS é um projeto que avalia possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo em aves, tartarugas e mamíferos marinhos. 

Para isso, as equipes monitoram as praias, realizam atendimento veterinário e necropsia de animais encontrados mortos.

Ele cobre a costa desde Laguna (SC) até Saquarema (RJ) com divisão em 15 trechos. 

O LEC/UFPR é responsável pelo Trecho 6, que abrange os municípios paranaenses de Guaratuba, Matinhos, Paranaguá, Pontal do Paraná e Guaraqueçaba.

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