Ciência

Surto de doença do legionário torna-se fatal em Nova York

Departamento de Saúde investiga a origem da contaminação após registrar 67 casos e o primeiro óbito ligado ao surto em Manhattan

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 18 de julho de 2026 às 06h06.

Nova York confirmou a primeira morte ligada ao surto de doença do legionário que atinge o bairro Upper East Side, em Manhattan. A infecção começou a ser identificada no início de julho e, desde então, já contaminou dezenas de pessoas.

A confirmação do óbito foi divulgada na sexta-feira pelo Departamento de Saúde e Higiene Mental da Cidade de Nova York. Até a noite de quinta-feira, o órgão contabilizava 67 casos da doença, dos quais 12 exigiram internação.

Durante a investigação, as autoridades localizaram vestígios da bactéria Legionella em 76 edifícios. As torres de resfriamento desses imóveis apresentaram sinais da presença de bactérias, vivas ou mortas, e passaram por procedimentos de descontaminação. Segundo o departamento, testes laboratoriais mais detalhados, previstos para as próximas semanas, devem ajudar a esclarecer a origem das infecções.

Entenda a bactéria responsável pela doença

A Legionella costuma se desenvolver em sistemas de água aquecida, incluindo torres de resfriamento instaladas no topo de edifícios para auxiliar o funcionamento dos sistemas de climatização (HVAC, na sigla em inglês). Quando contaminadas, essas estruturas podem dispersar partículas de água no ar contendo a bactéria, responsável pela doença do legionário, uma infecção respiratória com manifestações semelhantes às da pneumonia. Os dois primeiros casos no Upper East Side foram registrados em 2 de julho, e o número de pacientes aumentou ao longo das semanas seguintes.

Os diagnósticos concentram-se nas áreas atendidas pelos códigos postais 10128, 10028 e 10075. A região abrange o trecho entre a Rua 96 Leste e a Rua 70 Leste, da Quinta Avenida até o East River, conhecida pela presença de cooperativas residenciais, condomínios e casas geminadas. Na etapa inicial da apuração, a bactéria foi encontrada em torres de resfriamento de empreendimentos residenciais, estabelecimentos comerciais, incluindo unidades da Gap Inc., e no museu Solomon R. Guggenheim.

As autoridades orientaram que pessoas que passaram pela região desde o fim de junho podem ter sido expostas ao microrganismo. Apesar disso, a maior parte dos indivíduos que inalou a bactéria não desenvolve a doença. O risco é maior entre idosos, pessoas com o sistema imunológico comprometido e fumantes, atuais ou ex-fumantes, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

O CDC informa que aproximadamente 10% dos pacientes diagnosticados com doença do legionário morrem em decorrência de complicações relacionadas à infecção.

O episódio ocorre cerca de um ano após outro surto registrado em Central Harlem, que provocou sete mortes e ultrapassou 100 casos confirmados. Após aquele evento, a cidade determinou que proprietários de edifícios realizassem testes para detectar a bactéria em intervalos de 31 dias e ampliou o número de inspetores do departamento de saúde.

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