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Redatora
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 05h55.
Medicamentos para emagrecer, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro ajudam na perda de peso, mas um novo estudo indica que os quilos perdidos podem voltar rapidamente após a interrupção do tratamento. É o que revela uma análise publicada nesta quinta-feira, 8, na revista científica BMJ e divulgada pela agência de notícias AFP.
Segundo pesquisadores britânicos, a recuperação ocorre até quatro vezes mais rápido do que em pessoas que emagrecem apenas com dieta e atividade física.
A pesquisa avaliou dados de dezenas de estudos sobre o uso e a suspensão de remédios indicados para obesidade e diabetes tipo 2, baseados no hormônio GLP-1, responsável por aumentar a saciedade.
Pesquisas anteriores já haviam mostrado que esses medicamentos permitem reduzir entre 15% e 20% do peso corporal, o que explica sua rápida popularização, principalmente em países de renda mais alta.
Os pesquisadores analisaram 37 estudos que acompanharam pessoas após a interrupção de diferentes tratamentos para emagrecimento. Em média, os participantes recuperaram cerca de 0,4 kg por mês depois de suspender os medicamentos.
Parte dos dados se concentrou na semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, e na tirzepatida, usada no Mounjaro. Durante o uso dessas substâncias, os participantes perderam aproximadamente 15 quilos. Após o fim do tratamento, recuperaram cerca de 10 quilos em um ano.
De acordo com projeções dos autores, o peso inicial tende a ser retomado em até 18 meses. Indicadores como pressão arterial e níveis de colesterol também voltaram aos patamares anteriores em pouco mais de um ano.
Segundo Sam West, pesquisador da Universidade de Oxford e autor principal do estudo, quanto maior a perda de peso, maior tende a ser a velocidade de recuperação após a interrupção. Isso ocorre de forma mais intensa entre usuários de medicamentos do que entre pessoas que emagreceram apenas com mudanças no estilo de vida.
Em comparação, indivíduos que seguiram programas de dieta e exercícios físicos, sem o uso de remédios, perderam menos peso, mas levaram em média quatro anos para recuperar o que haviam eliminado.
Uma das hipóteses levantadas é que indivíduos que mudam hábitos alimentares e mantêm uma rotina de atividade física continuam adotando essas práticas mesmo após algum ganho de peso, o que pode retardar a recuperação total.
Especialistas alertam que os medicamentos à base de GLP-1 devem ser vistos como parte do tratamento, e não como uma solução permanente. Para a pesquisadora Susan Jebb, da Universidade de Oxford, a obesidade é uma condição crônica e recorrente, o que indica que o uso prolongado pode ser necessário, de forma semelhante a remédios para hipertensão.
O custo elevado também pesa. Em alguns países, como nos Estados Unidos, o tratamento pode ultrapassar US$ 1.000 por mês (R$ 5.387, na cotação atual), o que contribui para a interrupção do uso por cerca de metade dos pacientes em até um ano.
O estudo também reúne avaliações de cientistas independentes, como Garron Dodd, pesquisador em neurociência metabólica da Universidade de Melbourne. Para ele, os resultados indicam que o controle da obesidade tende a exigir estratégias combinadas, envolvendo medicação, acompanhamento clínico e mudanças consistentes no estilo de vida.