Mounjaro: lucro bilionário vem mesmo com preços menores. (JDawnInk/Getty Images)
Redatora
Publicado em 25 de abril de 2026 às 08h05.
Um procedimento minimamente invasivo pode ajudar a evitar o reganho de peso após a interrupção de medicamentos como Ozempic (semaglutida), Mounjaro (tirzepatida) e outras terapias da classe GLP-1. A técnica, ainda experimental, mostrou resultados promissores em pacientes que haviam perdido peso com esses remédios.
Os resultados foram apresentados na Digestive Disease Week (DDW) 2026, um dos principais congressos internacionais de gastroenterologia, e publicados no ScienceDaily. Eles indicam que a intervenção pode preservar grande parte da perda de peso mesmo após a suspensão da medicação.
O estudo destaca que cerca de 70% das pessoas que interrompem o uso de medicamentos como Ozempic acabam recuperando parte significativa do peso perdido, muitas vezes em até 18 meses. Esse efeito rebote é uma das principais limitações das terapias atuais.
O método, chamado de revestimento da mucosa duodenal, atua na primeira parte do intestino delgado, conhecida como duodeno. A técnica utiliza calor controlado para remover o tecido interno danificado, estimulando o crescimento de uma nova camada mais saudável.
A proposta é reconfigurar a resposta metabólica do organismo. Como o intestino tem papel central na regulação de hormônios ligados ao apetite e ao metabolismo, essa renovação pode ajudar o corpo a manter o peso reduzido mesmo sem o uso contínuo de medicamentos.
Os dados iniciais vêm do estudo REMAIN-1, conduzido pela dra. Shelby Sullivan, diretora do Programa Endoscópico Bariátrico e Metabólico do Dartmouth Health Weight Center. A pesquisa avaliou pacientes após a interrupção da tirzepatida. Todos os participantes haviam perdido pelo menos 15% do peso corporal antes de entrar na pesquisa.
Após seis meses, aqueles que passaram pelo procedimento apresentaram menor reganho de peso em comparação com o grupo controle. Pacientes submetidos à intervenção mais extensa mantiveram mais de 80% do peso perdido, enquanto o grupo sem tratamento recuperou uma parcela significativamente maior.
Os resultados também indicam que o benefício pode aumentar com o tempo, com diferenças entre os grupos se ampliando ao longo dos meses.
Segundo os pesquisadores, não foram registradas complicações graves relacionadas ao procedimento. A recuperação é considerada rápida, com a maioria dos pacientes retornando às atividades normais em cerca de um dia.
O intestino delgado desempenha papel importante na produção de hormônios que regulam o metabolismo. Alterações nessa região, muitas vezes associadas a dietas ricas em gordura e açúcar, podem afetar a forma como o corpo processa os alimentos.
Ao restaurar o revestimento intestinal, o procedimento busca melhorar essa resposta metabólica e ajudar a estabilizar o peso após o fim do tratamento.
Apesar dos resultados promissores, o procedimento ainda está em fase de pesquisa. O estudo REMAIN-1 continua em andamento com um número maior de participantes, e novos dados devem ser divulgados ao longo de 2026.
Os pesquisadores esperam que, com mais evidências, a técnica possa se tornar uma alternativa para pacientes que desejam interromper o uso de medicamentos sem enfrentar o efeito rebote do peso.