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Dona do Mounjaro fecha acordo de até US$ 2,3 bilhões para tratar câncer

Com compra da biotech Ajax Therapeutics, empresa amplia aposta em terapias inovadoras para o câncer hematológico; parte relevante do valor depende do sucesso dos estudos clínicos

Eli Lilly: dona do Mounjaro amplia presença no mercado oncológico. (	jetcityimage/Getty Images)

Eli Lilly: dona do Mounjaro amplia presença no mercado oncológico. ( jetcityimage/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 27 de abril de 2026 às 08h57.

A Eli Lilly, farmacêutica dona do Mounjaro, anunciou a compra da biotech Ajax Therapeutics por até US$ 2,3 bilhões, reforçando sua presença no mercado de tratamentos contra câncer, especialmente de sangue.

Parte do montante vai ser paga antecipadamente e o restante vinculado ao cumprimento de marcos como testes clínicos e aprovações regulatórias, conforme informou a própria empresa. Os valores não foram divulgados.

As ações da Eli Lilly tiveram pouca variação nas negociações iniciais em Nova York, com recuo de 0,02% no pré-mercado, a US$ 883,75.

Tratamento em fase inicial

O principal ativo da Ajax é o medicamento experimental AJ1-11095, um tratamento oral de dose única diária voltado para pacientes com mielofibrose, um tipo raro de câncer do sangue, segundo a Reuters.

O composto está em fase inicial de testes clínicos, no aguardo de dados relevantes em 2026.

A aquisição também dá à Lilly acesso a uma nova geração de terapias baseadas na classe dos inibidores de JAK2, já utilizada no tratamento de doenças hematológicas, mas que ainda enfrenta limitações de eficácia e segurança.

A Ajax foi criada com o objetivo de desenvolver alternativas mais precisas dentro dessa categoria, de acordo com informações divulgadas pela Bloomberg.

Estratégia oncológica

A Lilly também avançou em negociações para adquirir a Kelonia Therapeutics por até US$ 7 bilhões, com pagamento inicial de US$ 3,25 bilhões e valores adicionais atrelados a metas clínicas e comerciais.

A Kelonia atua no desenvolvimento de terapias para mieloma múltiplo, outro tipo de câncer do sangue, incluindo abordagens que buscam reprogramar células do próprio organismo do paciente.

A tecnologia é vista como uma possível alternativa mais simples e acessível em comparação a tratamentos tradicionais, como quimioterapia ou terapias celulares mais complexas.

Fatia relevante do negócio

Embora a empresa tenha ganhado protagonismo recente com medicamentos contra a obesidade, o segmento oncológico já representa uma fatia relevante do negócio.

O presidente da divisão de oncologia da Lilly, Jacob Van Naarden, afirmou à Reuters que a empresa pretende avançar rapidamente o AJ1-11095 para fases mais avançadas de testes clínicos ainda em 2026.

"Aguardamos com expectativa a apresentação dos dados (...), utilizando nossa experiência em câncer no sangue para, com sorte, disponibilizar mais um importante medicamento novo para pacientes e hematologistas", disse.

Dados citados pela Barron’s indicam que os tratamentos contra câncer geraram US$ 9,4 bilhões em receita dentro de um total de US$ 65,2 bilhões da companhia.

A ofensiva em oncologia ocorre em um momento de revisão nas expectativas para o mercado de medicamentos para obesidade, como o Mounjaro. Em março, o HSBC rebaixou a recomendação para as ações da Lilly.

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