Sono: estudo mostra que ritmo circadiano irregular pode elevar risco de demência (Getty Images/Getty Images)
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Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 06h58.
Um novo estudo publicado na revista Neurology indica que alterações no relógio biológico interno podem estar associadas a um risco 2,5 vezes maior de desenvolver demência.
Os pesquisadores da Centro Médico UT Southwestern, localizado em Dallas, no Texas, analisaram padrões do ritmo circadiano, responsável por regular sono, temperatura corporal, hormônios e ciclos de atividade, e observaram que idosos com ritmos mais fracos ou irregulares tinham maior chance de apresentar declínio cognitivo ao longo dos anos seguintes.
O estudo monitorou mais de 2 mil adultos com média de 79 anos que, no início da pesquisa, não apresentavam sinais de demência. Após cerca de três anos de acompanhamento, 176 participantes receberam diagnóstico da doença.
O ritmo circadiano é o sistema de temporização do organismo. Ele regula o ciclo sono-vigília e processos essenciais, como metabolismo, digestão, alerta cognitivo e liberação hormonal. Quando esse ritmo está alinhado à luz do dia e à escuridão, o corpo mantém padrões estáveis de atividade e descanso.
Alterações nesse mecanismo são comuns no envelhecimento e têm sido investigadas como possíveis marcadores de doenças neurodegenerativas. Segundo os pesquisadores, ritmos mais fracos tornam o relógio biológico mais sensível a perturbações externas, como mudanças na rotina, variações de luminosidade e sono irregular.
Os participantes utilizaram monitores cardíacos por 12 dias para registrar suas janelas de repouso e atividade. Em seguida, foram acompanhados pelos anos seguintes para verificar quem desenvolveria demência.
Depois de ajustar variáveis como idade, hipertensão e doenças cardiovasculares, os pesquisadores descobriram que indivíduos com ritmos circadianos mais fracos apresentavam um risco 2,5 vezes maior de desenvolver demência quando comparados ao grupo com ritmos mais estáveis.
O horário do pico de atividade também se mostrou um fator relevante. Pessoas cuja atividade diária atingia o auge no fim da tarde tiveram um risco 45% maior de demência em comparação com aquelas que eram mais ativas no período da manhã.
Os cientistas sugerem que ritmos circadianos interrompidos podem influenciar mecanismos associados ao desenvolvimento da demência. São exemplos:
Pesquisas anteriores indicam que o sono desempenha papel importante na limpeza de resíduos metabólicos no cérebro, como a proteína beta-amiloide, relacionada ao Alzheimer.