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Preocupação com a covid-19 causa dor de cabeça em 3 a cada 10 brasileiros

Pesquisa feita pelo Ibope, encomendada pela farmacêutica japonesa Takeda, foi enviada em 1ª mão à Exame e mostra que brasileiros estão mais preocupados

Enxaqueca: mulheres ainda são as mais afetadas (Drazen Zigic/Getty Images)

Enxaqueca: mulheres ainda são as mais afetadas (Drazen Zigic/Getty Images)

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Tamires Vitorio

19 de maio de 2020, 11h44

A pandemia do novo coronavírus tem dado dor de cabeça aos brasileiros -- literalmente. Uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) e encomendada pela biofarmacêutica japonesa Takeda, dona dos medicamentos Neosaldina e Dramin, apontou que 3 em cada 10 brasileiros (31%) sofrem de dores por conta da preocupação com a covid-19.

Em 2016, na primeira edição da pesquisa, o principal gatilho para a cefaleia, para 68% dos entrevistados, era o estresse. Agora, 59% acreditam que esse é o fator que desencadeia as dores. A privação de sono era um motivo para 60% das pessoas há quatro anos, em 2020, no entanto, apenas 52% acreditam que isso interfere. Os problemas pessoais também parecem ter diminuído: 43% em 2016 e 32% neste ano.

A pesquisa foi feita com aproximadamente 2 mil pessoas no Brasil todo, online e com indivíduos que tiveram crises de enxaqueca nos últimos três meses.

Além do coronavírus: o smartphone como gatilho

Segundo os pesquisadores, a queda dos gatilhos foi motivada, principalmente, pela pandemia e o aumento do uso do celular. 97% dos brasileiros passam no mínimo duas horas por dia no celular e mulheres (27%) e jovens de 18 a 35 anos (26) ficam de 8 horas ou mais usando os smartphones. As mulheres também seguem como a parte da população mais afetada pelas enxaquecas. "Esse aumento do uso do celular, o home office, o uso contínuo das redes sociais também corrobora para a piora da cefaleia. Sabemos que o uso excessivo de eletroeletrônicos comprometem a sua ergonomia", afirma Dra. Evelyn Esteves Dias, membro da Academia Brasileira de Neurologia e Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Cefaleia como sintoma da covid-19

A dor de cabeça também pode ser um sintoma do coronavírus, mas é importante saber diferenciá-la das demais crises. "Para quem tem enxaqueca, a dor tende a ser de mais de quatro horas, tende a atingir apenas metade de cabeça, pulsa, acompanha de fono e fotofobia, a luz e o barulho incomodam, podem estar ou não associados a náuseas e vômitos. Esses são os sintomas da dor de cabeça que os pacientes chamam de 'normal'. Agora, se você nunca teve dor de cabeça com essas características, e começa a ter uma dor de cabeça atípica, se não passa com analgésico e vem mostrando piora progressiva, é bom ficar de olho", afirma Esteves.