Corrida: pesquisa sugere que empurrar um carrinho de bebê reduz a força de impacto a cada passada e pode diminuir o risco de lesões (Pexels)
Redatora
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 20h00.
Correr empurrando um carrinho de bebê pode ser mais do que uma forma de conciliar atividade física e os cuidados com os filhos. Um estudo publicado na revista PLOS ONE sugere que essa prática está associada a um menor risco de lesões relacionadas à corrida, especialmente no tornozelo, na panturrilha, na planta dos pés e no tendão de Aquiles.
Para chegar aos resultados, a pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Estadual da Pensilvânia (Penn State), analisou dados de pais corredores e encontrou uma redução de cerca de 37% na ocorrência de lesões entre aqueles que costumavam correr com carrinho de bebê.
A principal hipótese dos pesquisadores é que empurrar o carrinho modifica a mecânica da corrida. Segundo Allison Altman Singles, autora principal do estudo, o corredor tende a inclinar levemente o corpo para a frente e transferir parte do peso para o carrinho. Essa adaptação reduz a força absorvida pelas pernas a cada passada.
Em um estudo anterior, a mesma equipe já havia demonstrado que correr com carrinho reduz em cerca de 16% a força de impacto vertical — aquela gerada quando os pés tocam o solo. O novo trabalho investigou se essa alteração biomecânica também estaria associada a uma menor frequência de lesões.
Os pesquisadores analisaram informações fornecidas por 196 pais e mães que correram com carrinho de bebê enquanto os filhos tinham menos de três anos. Os resultados foram comparados aos de 53 corredores que também tinham filhos pequenos, mas não utilizavam carrinho durante os treinos.
Todos os participantes já praticavam corrida antes de se tornarem pais. Os dois grupos apresentavam características semelhantes em relação à idade, altura, peso e distância total percorrida. A principal diferença apareceu na frequência de lesões.
Entre os corredores que utilizavam carrinho, 19% relataram lesões relacionadas à corrida. No grupo que corria sem carrinho, esse percentual chegou a 30%. As lesões mais frequentemente relatadas incluíram dores no tornozelo, lesões na musculatura da panturrilha, fascite plantar e tendinite de Aquiles.Estudos anteriores mostram que corredores que empurram carrinhos de bebê costumam adotar passadas mais curtas, aumentar a cadência, reduzir a velocidade e inclinar mais o tronco para a frente.
Segundo Cara Wall-Scheffler, pesquisadora da Universidade Seattle Pacific que não participou do estudo, essas adaptações reduzem a força produzida a cada contato do pé com o solo. Embora esse padrão aumente o gasto energético da corrida, ele também pode diminuir a sobrecarga sobre músculos, tendões e articulações, ajudando a explicar a menor ocorrência de lesões observada na pesquisa.
Apesar dos resultados, os autores destacam que o estudo apresenta algumas limitações. As informações sobre lesões foram fornecidas pelos próprios participantes, o que pode introduzir vieses, e a maioria da amostra era composta por mulheres.