Estresse: hábitos diários foram associados à maior flexibilidade psicológica (Freepik)
Redatora
Publicado em 19 de outubro de 2026 às 05h01.
Alguns hábitos simples da rotina podem estar associados à forma como uma pessoa lida com o estresse. Tomar café da manhã regularmente, praticar exercícios e dormir adequadamente foram relacionados a uma maior capacidade de adaptação diante de situações difíceis.
A associação foi encontrada por pesquisadores da Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos, após analisarem dados de aproximadamente 400 estudantes universitários. O estudo foi publicado no Journal of American College Health.
Os resultados apontam para um papel da chamada flexibilidade psicológica, capacidade de adaptar pensamentos, emoções e comportamentos diante de mudanças ou dificuldades.
A pesquisa identificou quatro hábitos associados a maior flexibilidade psicológica ou resiliência entre os participantes:
O padrão contrário também apareceu nos resultados. O consumo frequente de fast food e o sono insuficiente foram associados a maior rigidez psicológica, ou seja, maior dificuldade para adaptar pensamentos e comportamentos diante de mudanças.
Na prática, uma pessoa com maior flexibilidade pode sentir estresse diante de um problema, mas conseguir avaliar a situação e adaptar a própria resposta.
Essa característica foi analisada pelos pesquisadores como um possível mecanismo entre determinados hábitos cotidianos e a resiliência, entendida como a capacidade de lidar e se recuperar de situações adversas.
Para investigar essa relação, a equipe coletou respostas anônimas sobre alimentação, sono, exercícios e outros aspectos do estilo de vida dos participantes.
Apesar dos resultados, o estudo não indica que alimentação, exercício ou sono impeçam uma pessoa de sentir estresse. Segundo Lina Begdache, professora associada de estudos de saúde e bem-estar da Universidade de Binghamton e principal autora da pesquisa, a flexibilidade psicológica está relacionada à capacidade de reconhecer o que está acontecendo e avaliar possíveis respostas diante de uma situação difícil.
A hipótese apresentada pelos pesquisadores é que hábitos relacionados à dieta e ao estilo de vida podem contribuir para essa capacidade de adaptação, que, por sua vez, está relacionada à resiliência. O trabalho amplia pesquisas anteriores da equipe sobre possíveis relações entre alimentação e saúde mental.
Os autores ressaltam, no entanto, que os dados foram obtidos por meio de questionários e mostram associações, não causalidade. Além disso, a pesquisa foi realizada com estudantes universitários, o que limita a possibilidade de generalizar os resultados para toda a população.