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Natura registra queda de 82% no lucro líquido do segundo trimestre de 2026

Brasil impactou receita, enquanto mercados hispânicos apresentaram alta; margem Ebitda veio acima do que o Citi projetava

Natura: lucro da companhia recua 82% no 2T26 (Natura/Divulgação)

Natura: lucro da companhia recua 82% no 2T26 (Natura/Divulgação)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 10 de agosto de 2026 às 19h36.

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O lucro líquido da Natura (NATU3) recuou 82% no segundo trimestre de 2026, saindo de R$ 196 milhões no mesmo período do ano passado para R$ 35 milhões entre abril e junho deste ano. O número ficou abaixo da estimativa de R$ 137 milhões do Citi.

A companhia registrou receita líquida de R$ 5,17 bilhões, queda de 9,1% em relação ao mesmo período de 2025, quando registrou R$ 5,68 bilhões, mas praticamente em linha com a projeção do banco, que estimava R$ 5,15 bilhões.

Todos três principais segmentos registraram queda na receita: Natura (-8,2%), Avon (-11%) e Casa & Estilo (-27,6%). “Outros” apresentaram alta de 79,3%.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) foi de R$ 620 milhões, queda de 5,9% ante abril e junho de 2025, quando registrou R$ 658 milhões, com margem de 12% (recuo de 40 pontos-base). Entretanto, veio acima das expectativas do banco. O Citi projetava R$ 557 milhões em Ebitda e margem de 10,8%.

Segundo a Natura, o desempenho no Brasil, impactado por indisponibilidade de produtos, descasamento tributário temporário e ambiente de consumo desaquecido no país, foi o que afetou a receita. Mesmo assim, a empresa registrou geração de caixa positiva de R$ 342 milhões, e a alavancagem ficou em 2,06x, ligeira redução com relação ao trimestre anterior.

Brasil ainda pesa sobre os resultados, enquanto hispânicos ajudam a compensar a queda brasileira

A receita no mercado brasileiro recuou 14,8% na comparação anual, para R$ 3,07 bilhões. A retração atingiu as duas marcas: a receita da Natura caiu 14,5%, enquanto a da Avon recuou 22,5% no país. Os canais digital e de varejo também foram impactados pela implementação de uma nova política harmonizada de preços e regras comerciais, além da migração dos contratos de franquia para o novo modelo.

Enquanto o Brasil pressionou os números, os mercados hispânicos apresentaram uma melhora. A receita da região ficou em R$ 2,1 bilhões, alta de 0,7% em reais na comparação anual e de 7,2% em moeda constante. Natura e Avon cresceram, nos mercados hispânicos, respectivamente, 5% e 1,4%..

A rentabilidade da região também surpreendeu positivamente. O Ebitda dos mercados hispânicos chegou a R$ 160 milhões, alta de 92,7%, com margem de 7,6% (+360 pontos-base na comparação anual). O desempenho refletiu principalmente os ganhos de eficiência nas despesas gerais e administrativas associados ao novo modelo operacional.

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