Ciência

Não é o sangue: cientistas revelam o que atrai mosquitos às vítimas

Novo estudo aponta para outros fatores ambientais como determinantes na aproximação dos insetos

Mosquito: cientistas descobrem motivo para os insetos atacarem vítimas (Getty Images)

Mosquito: cientistas descobrem motivo para os insetos atacarem vítimas (Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 24 de março de 2026 às 13h41.

Última atualização em 24 de março de 2026 às 14h34.

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Um estudo recente indica que a atração de mosquitos por humanos não depende principalmente do tipo sanguíneo, mas de sinais como dióxido de carbono e estímulos visuais.

Durante anos, a explicação mais difundida atribuía ao sangue a principal influência nesse comportamento. A nova análise aponta para outros fatores ambientais como determinantes na aproximação dos insetos.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia examinaram o deslocamento de centenas de mosquitos e reuniram cerca de 20 milhões de registros de trajetórias de voo. A partir desse volume de dados, foi desenvolvido um modelo matemático voltado a prever o padrão de aproximação dos insetos em relação a humanos.

Os dados indicam que não há coordenação direta entre os mosquitos durante o voo. Cada inseto responde de forma independente aos estímulos presentes no ambiente, ainda que cheguem simultaneamente ao mesmo ponto. A convergência ocorre pela exposição aos mesmos sinais, e não por comportamento coletivo organizado.

A Combinação que direciona o comportamento dos mosquitos

A análise identificou dois elementos centrais na atração: o dióxido de carbono, liberado durante a respiração, e a presença de objetos escuros no campo visual dos insetos.

Nos testes, diferentes alvos foram posicionados em uma câmara controlada, enquanto câmeras infravermelhas em três dimensões registraram o deslocamento dos mosquitos. Um objeto escuro isolado gerava aproximação inicial, mas sem permanência prolongada.

A presença isolada de dióxido de carbono permitia que os insetos identificassem a área, porém apenas em curta distância. O comportamento se alterava quando os dois fatores eram combinados: CO₂ e um alvo escuro. Nesse cenário, os mosquitos permaneciam no local e iniciavam tentativas de alimentação.

O comportamento diante de humanos em teste controlado

Para validar a hipótese em um ambiente mais próximo do real, um pesquisador entrou na câmara com roupas de diferentes cores. O sistema de captura registrou o padrão de voo ao redor do corpo.

Os resultados mostram que os insetos interpretam o corpo humano como um elemento escuro no ambiente. A concentração mais intensa ocorreu nas regiões da cabeça e dos ombros, associadas à maior liberação de dióxido de carbono pela respiração.

O estudo também fornece base para o desenvolvimento de armadilhas e estratégias de controle mais direcionadas. As aplicações incluem o enfrentamento de doenças transmitidas por mosquitos, como malária, febre amarela e zika.

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