Ciência

Nova variante do coronavírus pode ter causado alta em mortes, diz Reino Unido

No final do ano passado, foi descoberta a variante B.1.1.7, que é 50% a 70% mais transmissível do que as demais

Reino Unido: país é o mais afetado na Europa (Hannah McKay/Reuters)

Reino Unido: país é o mais afetado na Europa (Hannah McKay/Reuters)

Tamires Vitorio

Tamires Vitorio

Publicado em 22 de janeiro de 2021 às 15h03.

Última atualização em 22 de janeiro de 2021 às 15h11.

A nova variante do coronavírus pode estar por trás da alta no número de mortos pela doença no Reino Unido, segundo o primeiro-ministro Boris Johnson. Em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 22, Johnson afirmou que o governo recebeu novas evidências de que a variante é, de fato, mais fatal.

"Em adição ao seu espalhamento mais rápido, agora parece que temos evidências de que ela está associada a um grau mais alto de mortalidade", disse ele. A afirmação foi apoiada por seus conselheiros científicos. A estimativa oficial da taxa R, que mede para quantas pessoas um infectado passa o vírus, caiu para 0.8 e 1 no país — na semana passada, os números eram 1.2 e 1.3.

Apesar da queda, o governo afirmou que a taxa de casos continua "perigosamente alta" e pediu para que os moradores continuem a respeitar as regras de lockdown britânicas. Com mais de 3,5 milhões de infectados e 96.000 mortos, o Reino Unido é o país mais afetado pela covid-19 na Europa, e o número de casos e as mortes vêm aumentando nos últimos meses.

No final do ano passado, foi descoberta a variante B.1.1.7, que é 50% a 70% mais transmissível que as demais. Em pouco tempo, ela deixou de estar somente em território britânico e se espalhou por países como Japão, Estados Unidos e Brasil.

Em 8 de dezembro, o país se tornou o primeiro ocidental a lançar uma campanha de vacinação em massa, com as vacinas da Pfizer e da BioNTech e a da parceria entre AstraZeneca e Oxford.

Já foram vacinadas 5,4 milhões de pessoas até o momento — e Johnson afirmou que afrouxará as regras de lockdown uma vez que o Reino Unido alcançar 15 milhões de vacinados.

Segundo evidências científicas, a mutação não deve alterar a eficácia das vacinas que já foram aprovadas.

Em dezembro do ano passado, especialistas americanos e britânicos afirmaram que algumas das vacinas já aprovadas para uso contra a covid-19 continuarão a funcionar mesmo com as mudanças.

É o caso das vacinas da americana Pfizer em parceria com a alemã BioNTech, da Moderna e da AstraZeneca — em todos esses casos, o imunizante deve atacar a espícula do vírus, independentemente da variante.

Todos os vírus existentes no mundo passam por mutações — até mesmo o da gripe. Isso acontece porque, uma vez no organismo humano, o vírus tende a procurar formas de evoluir geneticamente, tornando-se mais resistente ao uso de medicamentos, por exemplo.

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