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Quem é a fintech que captou US$ 108 milhões para levar crédito a pequenas empresas

Robbin conecta indústrias, distribuidores e bancos recebeu US$ 8 milhões em aporte e estruturou um FIDC de US$ 100 milhões para ampliar o crédito a pequenas empresas

Leonardo Moura, Henrique Meyer e Tomás Correa, cofundadores da Robbin: tecnologia para reduzir etapas entre a venda e a liberação do crédito

Leonardo Moura, Henrique Meyer e Tomás Correa, cofundadores da Robbin: tecnologia para reduzir etapas entre a venda e a liberação do crédito

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 28 de junho de 2026 às 12h24.

Última atualização em 28 de junho de 2026 às 12h27.

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O acesso a crédito continua sendo um desafio para pequenas e médias empresas. Segundo pesquisa da Serasa Experian de 2025, mais de 48% das PMEs relataram obstáculos para obter alguma linha de financiamento. Em muitos setores, o financiamento ainda depende de processos manuais e prazos que limitam o crescimento das empresas.

É nesse mercado que atua a Robbin, fintech fundada em 2023. A empresa criou uma plataforma que conecta indústrias, distribuidores, bancos e PMEs para oferecer crédito no momento da compra, usando dados das próprias cadeias produtivas para avaliar risco e liberar limites.

A companhia recebeu recentemente um aporte de US$ 8 milhões, além de uma estrutura de FIDC, fundo de investimento em direitos creditórios, de US$ 100 milhões. Segundo a empresa, o capital será usado para ampliar o desenvolvimento de produtos e financiar a expansão da operação.

A rodada seed foi co-liderada por Canary, Atlântico e Caravela, com participação da AB Seed, Norte Ventures e dos fundos internacionais Clocktower e Tomorrow Capital.

“O segmento de varejo ficou parado no tempo quando você começa a conhecer profundamente. Existe uma oportunidade gigantesca de usar essa onda tecnológica da IA para trazer soluções mais eficientes e personalizadas”, afirma Leonardo Moura, CEO da Robbin.

Nos próximos anos, a meta é ampliar a presença entre grandes marcas, alcançar milhões de PMEs e levar o modelo para outros mercados com características semelhantes às do Brasil.

Como surgiu a Robbin

A ideia da Robbin nasceu da combinação entre a experiência dos fundadores em mercados de capitais e a vivência prática com pequenos negócios.

Moura passou por instituições financeiras como Itaú e trabalhou em operações de captação de recursos para grandes companhias. Ao se aproximar da rotina de pequenos empreendedores, identificou uma diferença significativa entre o acesso ao crédito de grandes empresas e o disponível para PMEs.

Segundo ele, a percepção era de que a revolução digital que transformou o crédito para consumidores ainda não havia chegado com a mesma intensidade ao ambiente B2B.

A Robbin foi criada ao lado de Henrique Meyer, que passou por instituições como Itaú BBA, Citi e HSBC, e Tomás Correa, cofundador da OpenCo.

Como funciona a plataforma

O modelo da Robbin parte da percepção de que grande parte do crédito destinado às PMEs não vem dos bancos, mas sim de indústrias e empresas de cadeia produtiva.

A fintech atua como uma camada tecnológica entre esses agentes. A plataforma utiliza informações como histórico de compras, frequência de relacionamento comercial e comportamento de pagamento para construir modelos de crédito.

A arquitetura do produto busca reduzir etapas entre a venda e a liberação do crédito. Diferentemente dos cartões tradicionais, a Robin utiliza uma infraestrutura baseada em Pix para liquidar as operações em tempo real, aproximando o financiamento do momento da compra.

A solução é oferecida em parceria com as próprias indústrias. Quando um cliente acessa o aplicativo, a interface já aparece personalizada com a marca do fornecedor.

“A demanda por crédito nasce no momento da venda. Os bancos não estão nessa transação, não têm acesso a esses dados nem ao relacionamento que a indústria já construiu com a PME”, afirma Moura.

Entre os clientes da Robbin estão empresas como Cantu, Votorantim, Chilli Beans e Malwee.

O que será feito com os novos recursos

Os recursos da rodada terão foco em tecnologia e desenvolvimento de produtos.

Segundo a empresa, toda a infraestrutura da plataforma foi construída internamente, incluindo aplicativos, sistemas de pagamento e motores de análise de crédito.

Uma das apostas da empresa para os próximos meses é ampliar o uso de inteligência artificial na análise de risco. A Robbin já utiliza agentes de IA para monitorar transações em tempo real.

A próxima etapa será implementar modelos de precificação dinâmica. Na prática, o sistema poderá ajustar automaticamente o custo de uma operação de acordo com o risco identificado durante a análise.

Já o FIDC terá uma função diferente: financiar as operações de crédito realizadas pela plataforma.

Os desafios da expansão

Apesar do crescimento, a Robbin enfrenta desafios de empresas que operam na interseção entre tecnologia e serviços financeiros. A companhia precisa desenvolver software, gerenciar risco de crédito e adaptar sua operação às condições macroeconômicas, incluindo juros elevados.

Outro desafio está na escala. A startup opera com cerca de 30 funcionários e busca expandir rapidamente sem aumentar a estrutura na mesma proporção.

“Temos uma ambição muito grande com um time enxuto. Crescer muito rápido é difícil. Crescer muito rápido com um time pequeno é mais desafiador ainda”, afirma.

A estratégia para conquistar novos clientes tem sido baseada principalmente em indicações de empresas já atendidas pela plataforma. No longo prazo, a Robbin acredita que o modelo pode ser replicado em outros países.

“O objetivo é trabalhar na casa dos milhões de PMEs e milhares de marcas. E, nesse processo, levar esse modelo para outros mercados que enfrentam desafios semelhantes de acesso a crédito”, afirma Moura.

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