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Nem as criaturas do mar profundo escapam da poluição plástica

Cientistas encontraram microplásticos em 48% das amostras de animais invertebrados que vivem a mais de 20 mil metros de profundidade

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 (SAMS/Reprodução)

(SAMS/Reprodução)

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Vanessa Barbosa

Publicado em 23 de agosto de 2017 às, 15h31.

Última atualização em 23 de agosto de 2017 às, 22h14.

São Paulo - Tema de crescente preocupação, a poluição do meio ambiente por detritos plásticos ganha a cada dia dimensões mais dramáticas.

Nesta semana, pesquisadores da Associação Escocesa de Ciências Marinhas (SAMS, na sigla em inglês) encontraram vestígios de microplásticos em 48% das amostras de animais invertebrados que vivem a mais de 2 mil metros de profundidade.

As análises foram realizadas numa região chamada Rockall Trough, no nordeste da Escócia, e revelaram a presença de resíduos plásticos em estrelas-marinhas e caracóis do mar.

Embora os cientistas já tenham encontrado vastas evidências de poluição por plásticos em várias áreas dos oceanos, a SAMS disse que sua pesquisa é a primeira a dimensionar a ingestão desses materiais por invertebrados de águas profundas. Os resultados foram publicados na revista Environmental Pollution.

O poliéster foi o plástico mais abundante identificado, principalmente sob a forma de fibras microscópicas, e, embora não seja possível conhecer definitivamente sua origem, esta substância é amplamente utilizada em roupas e pode chegar ao mar em águas residuais de máquinas de lavar. Dentro dos animais, também foram encontrados resíduos de polietileno, presente em sacolas de plástico, por exemplo.

Um pequeno fiapo de plástico encontrado dentro dos invertebrados analisados.

Um pequeno fiapo de plástico encontrado dentro dos invertebrados analisados. (SAMS/Reprodução)

"Os microplásticos se encontram generalizados no ambiente natural e apresentam inúmeras ameaças ecológicas, como a inibição da capacidade reprodutiva dos animais, o bloqueio dos tratos digestivos e a transferência de poluentes orgânicos para organismos que os comem", disse em nota à imprensa Winnie Courtene-Jones, principal autora da pesquisa.

Segundo a cientista, há indícios de que mais de 660 espécies marinhas em todo o mundo são afetadas por plásticos. Os detritos plásticos maiores são um perigo para muitos animais, que podem ingeri-los ou se emaranhar neles. Tartarugas marinhas, caranguejos e aves  costumam ser vítimas fáceis dessa poluição.

"Há muitas evidências de microplásticos nas águas costeiras, mas pouco se sabe sobre a extensão dessa poluição no oceano mais profundo. Estamos tentando estabelecer não só o quão generalizada ela é, mas também como e onde ela se acumula e o impacto que ela podem ter sobre a saúde dos animais e seres humanos".

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