Novo dinossauro: pesquisadores encontraram fóssil quase completo na Patagônia argentina (Andrew McAfee / Carnegie Museum of Natural History/Reprodução)
Redação Exame
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 09h44.
Para qualquer um que já assistiu Jurassic Park na infância, a imagem mental de dinossauros correndo a altas velocidades se tornou canônica, e aterrorizante. A realidade, porém, provavelmente era menos assustadora.
Segundo pesquisadores, mamutes, mastodontes e até os maiores dinossauros terrestres eram consideravelmente mais lentos do que se imaginava — e, em muitos casos, mais lentos do que humanos modernos em corrida.
A pesquisa, publicada no dia 7 deste mês na revista Scientific Reports, foi conduzida por cientistas das universidades de Queensland (Austrália), Helsinque (Finlândia), Granada e Madri (Espanha).
O trabalho revisou estimativas anteriores de velocidade máxima de grandes vertebrados extintos e concluiu que modelos antigos superestimavam de forma significativa a capacidade de locomoção desses animais.
“A velocidade de marcha dos animais depende de múltiplos fatores, incluindo o tipo de locomoção e a massa corporal”, explicam os autores do estudo.
Animais classificados como plantígrados e graviportais, que apoiam toda a planta do pé no solo e possuem membros adaptados para sustentar grandes pesos, tendem a ser muito mais lentos. A partir de cerca de 100 quilos, a velocidade máxima diminui progressivamente conforme o corpo aumenta.
Os pesquisadores apontam os elefantes modernos como exemplo claro desse limite biomecânico. Apesar de serem os maiores animais terrestres atuais, eles não ultrapassam 25 km/h.
Ainda assim, modelos matemáticos tradicionais chegavam a exagerar sua velocidade real em até 70%. “As equações tradicionais exageravam a velocidade real dos elefantes modernos em até 70%, uma margem de erro incompatível com a reconstrução rigorosa do comportamento de espécies extintas”, afirmam os cientistas no artigo.
Para corrigir esse problema, a equipe desenvolveu novos cálculos baseados exclusivamente em dados empíricos de elefantes vivos, considerados os melhores análogos disponíveis dos grandes vertebrados do passado. Ao aplicar esses modelos, os resultados foram bem mais modestos.
O mamute-lanoso, com cerca de 6 toneladas, teria sido o mais rápido entre os proboscídeos extintos, alcançando pouco mais de 20 km/h. Já o gigantesco Mammut borsoni, que podia pesar até 16 toneladas, dificilmente ultrapassaria 15 km/h. Mamutes que habitaram a bacia de Orce, no sul da Espanha, como o Mammuthus meridionalis, contemporâneo dos primeiros humanos da Eurásia Ocidental, teriam uma velocidade máxima estimada em torno de 18 km/h.
Quando o foco se volta para os dinossauros, os números são ainda mais baixos. O Argentinosaurus huinculensis, um dos maiores animais terrestres já conhecidos, com cerca de 75 toneladas, “não conseguiria ir além dos 10 km/h”, segundo os autores. Na Europa, o Turiasaurus riodevensis, descoberto na província espanhola de Teruel e com peso estimado de 42 toneladas, atingiria no máximo 11,8 km/h.
Esses resultados devem tranquilizar as pessoas que já tiveram medo de, em cenários hipotéticos, não conseguirem correr de dinossauros.
Para efeito de comparação, o velocista jamaicano Usain Bolt estabeleceu em 2009 o recorde mundial dos 100 metros rasos ao atingir uma velocidade média de 37,58 km/h. Em medições posteriores com lasers, cientistas belgas descobriram que Bolt alcançou um pico de 43,99 km/h durante uma corrida em 2011.
Realmente, Bolt não é representativo da velocidade do ser humano médio. Porém, a velocidade média da corrida de uma pessoa pode chegar aos 15-20 km/h, maior que a da maioria dos animais pré-históricos.
Os pesquisadores destacam que esses resultados ajudam a reconstruir de forma mais realista o comportamento dos gigantes, afastando a ideia de animais colossais correndo como predadores modernos. Mais do que monstros velozes, mamutes e dinossauros eram criaturas adaptadas à resistência, ao equilíbrio e à sustentação de massas extremas, em um ritmo muito mais lento do que o imaginário popular costuma supor.