Prato com carne vermelha (Getty Images)
Redatora
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 13h37.
O governo dos Estados Unidos anunciou novas diretrizes alimentares que reestruturam a pirâmide nutricional, colocando carnes vermelhas, queijo e leite integral em posição de destaque. O objetivo é incentivar o consumo de proteínas e reduzir alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar.
As orientações foram apresentadas pelo secretário de saúde Robert F. Kennedy Jr., que afirmou que a estratégia busca prevenir doenças crônicas e melhorar a saúde da população americana. Em coletiva de imprensa, Kennedy recomendou consumir “comida de verdade” e priorizar produtos naturais em detrimento de itens industrializados.
Após anos de recomendações para reduzir carnes e gorduras saturadas, os americanos agora são encorajados a incluí-las na dieta.
De acordo com informações do jornal O Globo, o documento, menor que versões anteriores, sugere cozinhar com manteiga e sebo bovino, embora não existam evidências sólidas de que isso traga benefícios à saúde.
Frutas e vegetais continuam incentivados, mas não há menção explícita ao aumento de gorduras saturadas. Óleos vegetais, frequentemente criticados por Kennedy, também não receberam destaque nas novas recomendações.
As diretrizes foram parcialmente endossadas pela Associação Médica Americana, enquanto a Associação Americana do Coração demonstrou preocupação com o possível aumento de consumo de gorduras saturadas e sódio. Alimentos processados e ricos em sal continuam a ser desencorajados.
As novas diretrizes alimentares dos EUA recomenda que adultos consumam entre 1,2 e 1,6 gramas de proteína por quilo de peso corporal por dia, acima do limite anterior de 0,8 gramas. As fontes podem ser animais, como carne, aves, frutos do mar, ovos, laticínios, ou vegetais, como leguminosas, nozes e soja.
Já em relação à ingestão de açúcares adicionados, Kennedy determina que deve ser limitada, sobretudo em crianças, que só devem começar a consumir esses alimentos a partir dos 10 anos. Carboidratos refinados, como pão branco, tortilhas e biscoitos, também devem ser evitados.
Além disso, as novas diretrizes incentivam evitar produtos ultraprocessados ou “altamente processados”, incluindo salgadinhos, doces e alimentos com aditivos artificiais, corantes, conservantes e adoçantes de baixa caloria.
A atualização das diretrizes gerou polêmica. Kennedy descartou o comitê de especialistas do governo anterior e selecionou um novo grupo de profissionais, alguns com vínculos financeiros com indústrias de carne, laticínios e alimentos processados.
Embora a prioridade às gorduras saturadas tenha gerado críticas de especialistas em nutrição, o documento mantém o limite de 10% das calorias diárias provenientes dessas gorduras. Em relação ao álcool, a orientação permanece vaga, recomendando “menos consumo”, sem parâmetros específicos.
As diretrizes oficiais impactam políticas alimentares em escolas, hospitais, prisões e programas federais, e são atualizadas a cada cinco anos.