Ciência

Gelo fino pode ter preservado água no estado líquido em Marte, diz estudo

Pesquisa sugere que lagos cobertos por camadas sazonais de gelo resistiram a temperaturas extremas no planeta

Marte: Simulações mostram que gelo fino funcionou como isolante térmico natural (Derek Berwin/Getty Images)

Marte: Simulações mostram que gelo fino funcionou como isolante térmico natural (Derek Berwin/Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 10h20.

Um novo estudo publicado na revista AGU Advances propõe uma explicação inovadora para um dos maiores enigmas da ciência: como antigos lagos em Marte poderiam ter permanecido com água líquida apesar de um clima frio.

Pesquisadores da Univesidade de Rice, do Texas, nos Estados Unidos utilizaram modelos climáticos adaptados às condições marcianas e descobriram que lagos cobertos por uma camada sazonal de gelo fino poderiam ter retido água na forma líquida por décadas ou até mais tempo, mesmo com temperaturas médias muito abaixo do ponto de congelamento.

A equipe concentrou seus esforços em recriar as condições em crateras como Gale, próximas ao "Equador" marciano, onde dados de robôs mostram evidências geológicas de antigos corpos d’água. Usando um modelo chamado LakeM2ARS, modificado a partir de ferramentas de clima terrestre, os pesquisadores simularam dezenas de cenários variando temperatura, pressão atmosférica e outras condições ambientais de Marte há cerca de 3,6 bilhões de anos. Algumas simulações mostraram que lagos poderiam manter água líquida sob uma fina camada de gelo sazonal que se formava no inverno e derretia parcialmente no verão.

Segundo os autores, essa camada de gelo fino funcionaria como uma espécie de cobertor natural, reduzindo a perda de calor e limitando a evaporação direta da água. Durante as estações mais quentes, a radiação solar ainda poderia aquecer o lago através do gelo, mantendo sua profundidade relativamente estável ao longo de muitos anos marcianos. Essa dinâmica ajudaria a explicar por que características como leitos de lagos e sedimentos bem preservados são observadas hoje em Marte, apesar dos modelos tradicionais sugerirem um planeta frio demais para suportar água líquida estável na superfície.

A ideia de água líquida em Marte não é nova, mas o estudo oferece um mecanismo plausível que não exige um clima globalmente quente ou uma atmosfera espessa como a da Terra. Estudos anteriores identificaram sinais de antigos lagos e possíveis depósitos de água sob gelo polar usando dados de missões espaciais, e estes novos resultados ajudam a reconciliar essas evidências geológicas com a teoria climática.

Os pesquisadores afirmam que se padrões semelhantes de proteção por gelo fino forem encontrados em outros locais marcianos, isso pode ampliar nossa compreensão de onde e por quanto tempo a água líquida existiu no planeta. Essa informação é crucial não só para reconstruir a história climática de Marte, mas também para avaliar sua "habitabilidade" passada, já que a presença de água líquida é um dos pré-requisitos essenciais para a possível vida como conhecemos.

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