Ciência

Ex-CEO do Google quer transformar o céu em um 'banco de dados'

Iniciativa financia telescópio espacial e observatórios para mapear o universo

Eric Schmidt, um dos super-ricos dos EUA e ex-CEO do Google (Bloomberg/Bloomberg)

Eric Schmidt, um dos super-ricos dos EUA e ex-CEO do Google (Bloomberg/Bloomberg)

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 06h43.

O ex-CEO do Google, Eric Schmidt, e sua esposa, Wendy Schmidt, anunciaram um plano para financiar a construção de um sistema integrado de telescópios espaciais e terrestres. As informações são do The New York Times.

O projeto, criado pela Schmidt Sciences, busca acelerar pesquisas em astronomia de forma mais rápida e com menor custo comparado aos grandes observatórios tradicionais.

A iniciativa prevê quatro telescópios de grande porte. A expectativa é colocá-los em operação em até quatro anos, prazo menor que o ciclo de 10 a 15 anos adotado em observatórios astronômicos tradicionais.

Segundo a organização, a proposta é aplicar à astronomia um modelo de inovação do Vale do Silício, baseado em ciclos curtos, testes contínuos e renovação periódica de equipamentos.

Telescópio espacial Lazuli e o foco científico

O principal instrumento será o Lazuli, um telescópio espacial pensado para rivalizar com o Hubble. O equipamento terá foco na investigação da energia escura e na medição do comportamento de supernovas, ajudando a entender por que o universo está acelerando sua expansão.

Projetado inicialmente para ter um espelho de seis metros, o Lazuli dependeria do foguete Starship, da SpaceX, para ser enviado à órbita. Porém, devido às incertezas no cronograma do veículo, o projeto foi reavaliado para alternativas mais viáveis.

Observatórios terrestres e inovação tecnológica

Além do Lazuli, três projetos terrestres compõem o sistema:

  • Argus Array – conjunto com 1.200 pequenos telescópios, planejado para monitorar continuamente o céu do hemisfério norte e responder a eventos astronômicos em tempo real.
  • Deep Synoptic Array (DSA) – rede de radiotelescópios que fará levantamentos do céu em ondas de rádio e deve identificar bilhões de fontes cósmicas.
  • LFAST – telescópio dedicado à espectroscopia, usado para estudar supernovas e atmosferas de exoplanetas.

Esses instrumentos adotam uma arquitetura modular baseada em múltiplas unidades menores. O modelo reduz custos, facilita manutenção e permite atualizações rápidas.

Modelo de financiamento

De acordo com o NYT, o projeto é financiado com recursos privados, sem verbas públicas. A expectativa é que cada telescópio funcione entre três e cinco anos e seja substituído por novas versões.

A iniciativa ocorre em um momento de incerteza no financiamento federal à ciência nos Estados Unidos. A Schmidt Sciences afirma que o objetivo é complementar, e não competir com programas governamentais de longo prazo, como os da NASA e da Fundação Nacional de Ciência.

Astrônomos presentes na reunião da Sociedade Astronômica Americana, em Phoenix, classificaram o projeto como uma alternativa para preencher lacunas entre grandes missões.

Representantes destacaram que os novos telescópios não substituem programas como o Telescópio Espacial James Webb, mas podem abrir caminhos para experimentação e observações mais frequentes.

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