O corpo celeste é 5 milhões de vezes mais massivo que o Sol (Getty Images/Getty Images)
Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 17h15.
Pela primeira vez, cientistas observam o comportamento de um buraco negro que se mantém ativo seis anos após engolir uma estrela. Segundo especialistas, não há precedentes que expliquem este comportamento do corpo celeste.
O comportamento anormal é observado por radiotelescópios instalados no Novo México e na África do Sul, que acompanham os jatos que o buraco negro continua expelindo.
Ele é cerca de 5 milhões de vezes mais massivo que o Sol e está localizado em outra galáxia a cerca de 665 milhões de anos-luz da Terra.
Vale ressaltar que um ano-luz equivale à distância que a luz percorre ao longo de um ano em uma velocidade de 9,5 trilhões de quilômetros.
Os buracos negros são objetos densos que possuem uma gravidade tão forte que nem mesmo a luz consegue escapar.
Eles possuem uma fronteira teórica chamada de 'horizonte de eventos', que delimita o ponto em que não há retorno para nenhum corpo que se aproxime.
Quando engolem uma estrela, como aconteceu nesse caso, o fenômeno é chamado de 'ruptura por maré'. Esse nome é utilizado, pois essa ação gera a mesma dinâmica gravitacional responsável pelas marés oceânicas na Terra.
A astrofísica da Universidade do Arizona e coautora do estudo publicado nesta quinta-feira, 5, que aborda o tema, Kate Alexander, explica os riscos de proximidade com um buraco negro.
Qualquer objeto que se aproxime demais do horizonte de eventos de um buraco negro arrisca ser destruído pelas forças das marés e esticado em um longo fluxo de detritos, um processo chamado de 'espaguetificação'.
O que chamou atenção dos cientistas neste caso é a duração do período de "digestão" do buraco negro após engolir a estrela.
O material remanescente do corpo engolido começou a ser ejetado no espaço dois anos após ser desintegrado.
A liberação continua acontecendo seis anos depois de a estrela ser atraída e, de acordo com a astrofísica da Universidade de Oregon e autora do estudo, Yvette Cendes, não há previsões de quando esse movimento vá parar.
O aumento exponencial na luminosidade dessa fonte é sem precedentes. Agora ela é cerca de 50 vezes mais brilhante do que quando foi descoberta e está incrivelmente brilhante para um objeto em ondas de rádio.
Ela categoriza essa atividade como "incomum".
Gravidade dos buracos negros puxa corpos celestes que se aproximam (foto/AFP)
Kate compara o comportamento do buraco negro com o de um bebê que mastiga o alimento e o cospe.
Depois que a estrela foi destruída, parte desse gás caiu em direção ao buraco negro e se aqueceu, e o buraco negro começou a consumir a estrela. A luz de rádio brilhante que vemos com nossos telescópios é produzida por matéria estelar que se aproximou, mas nunca cruzou o horizonte de eventos.
As cientistas acreditam que a estrela engolida era do tipo anã vermelha, com tamanho equivalente a um décimo da massa do Sol.
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As pesquisadoras continuam buscando explicações para justificar o comportamento anormal do material expelido, chamado de "jato relativístico".
Yvette explica que a questão é o tempo que esse fenômeno seguirá ativo.
Provavelmente tem algo a ver com campos magnéticos ao redor do buraco negro, mas também claramente deve ser algo incomum, ou então veríamos mais deles.
Elas acreditam que o pico de intensidade deverá ocorrer no final de 2026 ou em 2027.
"Depois que a emissão atingir o pico, ela deve diminuir lentamente, então provavelmente ainda poderemos vê-la por uma década ou mais", diz Kate