Europeus classificam poluição do mar como principal ameaça à vida humana

O temor foi elencado em uma lista que deve servir de apoio para políticas públicas que visem mitigar a degradação dos oceanos, principalmente por plásticos e microplásticos
Mais de 80% da poluição marinha provém de atividades terrestres (Sebnem Coskun/Anadolu Agency/Getty Images)
Mais de 80% da poluição marinha provém de atividades terrestres (Sebnem Coskun/Anadolu Agency/Getty Images)
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André Lopes

Publicado em 17/06/2021 às 05:59.

Última atualização em 17/06/2021 às 09:29.

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Anualmente, 8 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos, a maioria proveniente de embalagens de alimentos e redes de pescas. Com a decomposição natural, o material é fracionado, chegando a medir menos de 5mm. Não por acaso, este tipo de poluição, que ainda não teve todas as consequências mapeadas, é a maior preocupação dos cidadãos da Europa sobre os riscos que a degradação dos oceanos podem causar na saúde humana.

Tal percepção foi levantada por uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira, pela Universidade de Exeter, na Inglaterra, que entrevistou 15.000 pessoas em 14 países europeus e Austrália. Tanto europeus quanto australianos estavam altamente preocupados com o impacto da poluição marinha por plásticos na saúde humana, classificando-a no topo das 16 principais ameaças vindas do mar. 

Também foram listados temores com derramamentos de óleo ou produtos químicos, perda de biodiversidade marinha e efeitos relacionados às mudanças climáticas, como aumento do nível do mar e acidificação dos oceanos, entre outras.

A pesquisa surge no momento em que a poluição por plástico, e principalmente microplásticos, é amplamente reconhecida como uma dos maiores agentes de dano ambiental vindo por diversos caminhos.

O primeiro deles é o pedaço maior de plástico, que vai sendo quebrado ao longo do tempo pelo sol e pelo sal da água marinha. O segundo são as microfibras, que saem da roupa desgastada ou durante as lavagens. Como são muito pequenas, elas saem da máquina de lavar junto com a água, vão para os canos e, por conta do seu tamanho, não conseguem ser filtradas pelo sistema de tratamento e acabam indo para o oceano. Há, também, a composição do plástico, que vem das fábricas de brinquedos, de garrafas, que se perdem no meio da produção.

O estudo descobriu que as pessoas entrevistadas apoiam mais pesquisas para entender o impacto da poluição marinha em nossa saúde. O coautor da pesquisa Mathew White, psicólogo ambiental da Universidade de Viena, disse que o objetivo do documento é informar a tomada de decisões sobre a política de poluição por plásticos e o financiamento de pesquisas sobre os impactos potenciais à saúde humana.

"Dado que a poluição marinha de plástico é um desafio global e toda a sociedade contribui em algum grau para o ciclo de consumo do material, precisamos urgentemente encontrar maneiras de conectar o alto nível de preocupação com formas de reduzir o vazamento de plástico no meio ambiente”, afirma o cientista.

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