Ciência

Estudo pode mudar percepção de humanos sobre Marte

Novo estudo aponta que Marte no princípio era, na realidade, coberto por uma camada de gelo e não tinha rio nenhum

Marte: estudo pode alterar nossa percepção sobre planeta vermelho (nemchinowa/Getty Images)

Marte: estudo pode alterar nossa percepção sobre planeta vermelho (nemchinowa/Getty Images)

Tamires Vitorio

Tamires Vitorio

Publicado em 13 de agosto de 2020 às 06h00.

Priorizar nos meus resultados Google

Segundo um estudo feito por cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, a superfície de Marte no princípio do planeta não era quente e úmida, como apontavam muitas teorias --- e longe disso. Na realidade, o planeta vermelho era coberto por gelo.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram os vales marcianos com os canais subglaciais no arquipelágo do Ártico canadense e descobriram semelhanças entre os dois. Mais de 10 mil vales marcianos foram analisados, usando um algoritmo para definir os processos de erosão aos quais eles passaram.

De acordo com a autora principal da pesquisa, Anna Grau Galofre, Marte é parecido com a Terra no ponto de que seus vales são extremamente diferentes uns dos outros, o que sugere que "muitos processos aconteceram para que eles existissem".

A nova teoria também ajuda a explicar porque os vales formados há 3,8 bilhões de ano no planeta vermelho estão mais longe do Sol do que da Terra, mesmo em uma época na qual o Sol era menos intenso. "Modelos climáticos apontam que o clima antigo de Marte era muito mais gelado durante o período no qual os vales estavam sendo modelados. Nós tentamos colocar todas as peças juntas e trazer uma hipótese que ainda não havia sido considerada: a de que os canais e vales podem se formar embaixo de camadas de gelo", explicou ela na pesquisa.

Gordon Osinski, professor da Universidade Western e coautor do estudo, afirma que os canais sublaciais na Ilha de Devon, no Canadá, são "as melhores analogias que temos para Marte aqui na Terra". "É um deserto gelado, seco e polar", disse Osinski no estudo.

A descoberta feita pelos cientistas também pode indicar condições melhores de vida antiga no planeta --- uma vez que uma camada de gelo pode dar mais estabilidade e proteção às águas, bem como servir de proteção contra a radiação solar na falta de um campo magnético, que Marte perdeu bilhões de anos atrás.

Acompanhe tudo sobre:EspaçoMartePlanetasPesquisas científicas

Mais de Ciência

Estudo com mil ossos humanos revela canibalismo e rituais macabros na Espanha

Lua pode ter se formado em apenas 5 horas após colisão com a Terra

Cientistas criam 'atalho' que acelera computadores quânticos em 1.000 vezes

Fumo passivo está ligado a 1,6 milhão de mortes por ano, aponta estudo