Ciência

Enjoo de movimento: por que algumas pessoas passam mal e outras não?

Conflito entre sinais enviados pelos olhos, ouvidos e cérebro explica por que algumas pessoas sentem náusea durante viagens

Estudo explique por que algumas pessoas enjoam em carros, barcos ou aviões e outras não (ThinkStock)

Estudo explique por que algumas pessoas enjoam em carros, barcos ou aviões e outras não (ThinkStock)

Publicado em 18 de março de 2026 às 07h05.

O enjoo de movimento, também conhecido como cinetose, ocorre quando o cérebro recebe informações contraditórias sobre o movimento do corpo. A explicação é da médica Kristen K. Steenerson, especialista em distúrbios do equilíbrio da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Em entrevista à Popular Science, Steenerson destaca que o problema surge quando os sinais enviados pelos olhos, ouvido interno e sensores corporais não estão em sintonia. Essa diferença na interpretação do movimento pode provocar sintomas como náusea, tontura, suor frio e, em alguns casos, vômito.

O enjoo pode aparecer em diferentes situações, como viagens de carro, barco, avião ou trem, além de brinquedos de parques de diversão e ambientes com movimento intenso.

O que causa o enjoo de movimento

Para manter o equilíbrio, o corpo depende da integração de três sistemas sensoriais: a visão, o ouvido interno e a propriocepção, que é a capacidade do corpo de perceber a posição das articulações, músculos e movimentos.

Segundo Steenerson, o cérebro combina essas informações para formar uma percepção única de movimento. Quando os sinais chegam de forma sincronizada, o corpo interpreta corretamente o deslocamento.

O problema surge quando há divergência entre esses estímulos. Um exemplo comum ocorre quando o corpo sente o movimento de um veículo, mas os olhos não percebem deslocamento, como ao ler dentro do carro. Esse conflito sensorial pode desencadear o enjoo.

Alguns pesquisadores sugerem que essa reação pode ter origem evolutiva. Nessa hipótese, o cérebro interpreta a confusão sensorial como um possível sinal de intoxicação e ativa mecanismos de defesa, como náusea e vômito.

Quem tem mais chance de sentir enjoo?

O enjoo de movimento é relativamente comum. Estudos indicam que cerca de uma em cada três pessoas apresenta maior sensibilidade ao problema.

Diversos fatores podem influenciar essa predisposição. A genética desempenha papel importante e pode explicar grande parte da variação na suscetibilidade entre indivíduos. A idade também interfere: crianças entre sete e 12 anos costumam ser mais sensíveis ao movimento, enquanto adultos tendem a apresentar menor incidência.

Alterações hormonais também podem aumentar a vulnerabilidade, motivo pelo qual mulheres grávidas ou em determinados períodos do ciclo hormonal podem sentir sintomas com maior frequência. Pessoas com enxaqueca ou ansiedade também apresentam maior risco de desenvolver cinetose.

O que ajuda a reduzir o enjoo em viagens?

Algumas medidas simples podem ajudar a diminuir o desconforto durante deslocamentos. Entre as recomendações apontadas pela pesquisadora estão:

  • Evitar refeições pesadas antes da viagem, principalmente alimentos gordurosos ou muito condimentados;
  • Manter-se hidratado e evitar bebidas alcoólicas;
  • Sentar em locais mais estáveis do veículo, como perto das asas do avião ou no centro de embarcações;
  • Olhar para um ponto fixo, como o horizonte, para reduzir o conflito sensorial;
  • Consumir gengibre, conhecido por ajudar a aliviar náuseas;
  • Tomar medicamentos contra enjoo antes da viagem, quando recomendados por médicos.

Outras medidas simples, como buscar ventilação adequada e ar fresco, também podem ajudar a reduzir o desconforto durante o deslocamento.

O cérebro pode se adaptar ao movimento

Com a exposição repetida ao movimento, algumas pessoas desenvolvem maior tolerância ao deslocamento. Esse processo é conhecido como habituação.

Na avaliação de Steenerson, o cérebro pode aprender gradualmente a interpretar melhor os estímulos sensoriais associados ao movimento. Por isso, pessoas que viajam com frequência ou trabalham em ambientes com deslocamento constante tendem a apresentar redução dos sintomas ao longo do tempo.

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