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E agora, Stephen Hawking? Será o fim do paradoxo do buraco negro?

Os cientistas descobriram que Hawking acertou em cheio em relação ao cálculo semiclássico, mas algumas coisas ainda precisam ser analisadas

Uma série de estudos recentes parecem explicar, de uma vez por todas, como funciona o paradoxo do buraco negro. Segundo os cientistas, se um indivíduo pula dentro de um, ele não desaparecerá para sempre --- isso porque, segundo eles, o corpo desta pessoa irá ressurgir partícula por partícula.

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Isso indica que, de uma forma ou de outra, o que conhecemos como "espaço-tempo" pode desmoronar em um buraco negro, sendo não o nível principal da realidade, mas sim uma estrutura "emergente de algo ainda mais profundo".

Os novos cálculos realizados pelos cientistas para chegar a essa conclusão foram inspirados pelo modelo físico matemático da teoria das cordas, mas não utilizam as cordas em si. Segundo eles, a matéria "vaza" pelo buraco negro apenas pelo funcionamento da própria gravidade. E apenas ela tem uma camada única de efeitos quânticos.

Duas teorias impulsionaram a descoberta dos cientistas. A primeira delas foi a da relatividade de Einstein, que supõe que a gravidade de um buraco negro é tão intensa que nenhuma matéria pode escapar delas. Já Stephen Hawking, em 1970, não questionou esse princípio --- por sua vez, o físico tentou descrever a matéria dentro e ao redor dos buracos negros com base na teoria quântica, mas seguindo princípios da teoria de Einstein, usando uma abordagem híbrida chamada de "semiclássica". A teoria de Hawking não estudou o interior dos buracos negros.

Os cientistas descobriram que Hawking acertou em cheio em relação ao cálculo semiclássico, mas era preciso levar em contas novas configurações gravitacionais. Segundo eles, a informação vaza dentro de um buraco negro, mas ela é regurgitada quase que imediatamente. Para um dos coautores do estudo, Donald Marolf, da Universidade da Califórnia, "essa é a coisa mais emocionamente que aconteceu nesse assunto desde Hawking".

 (EXAME Academy/Exame)

Os autores, apesar de felizes com a descoberta, também se sentem "decepcionados", por não terem conseguido responder uma pergunta relacionada à gravidade quântica: se as informações saem ou não dos buracos negros. "A esperança era que, se pudéssemos responder a esta pergunta - se pudéssemos ver as informações saindo - para fazer isso, teríamos que aprender sobre a teoria microscópica", disse Geoff Penington da Universidade da Califórnia, Berkeley.

O trabalho matemático ainda precisa ser estudado mais a fundo. Alguns especialistas, por exemplo, ainda estão resistentes e acreditam que a teoria das cordas ou outros novos tipos de física precisam entrar em conta na hora de analisar o que entra e o que sai dos buracos negros.

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