Genes: estudo revela que DNA humano está em constanta mutação.
Redatora
Publicado em 17 de abril de 2026 às 12h43.
A evolução humana não parou nos últimos 10 mil anos. Um estudo recente aponta que a seleção natural continuou a moldar centenas de genes nesse período, contrariando a ideia de que mudanças culturais teriam substituído a evolução biológica.
A pesquisa, publicada na revista Nature, analisou o DNA de 15.836 indivíduos antigos e identificou 479 variantes genéticas que parecem ter sido favorecidas ao longo desse intervalo. Antes desse trabalho, apenas algumas dezenas de casos semelhantes haviam sido detectados.
Segundo o New York Times, os resultados indicam que a evolução recente é mais intensa do que se imaginava. Além das centenas de variantes identificadas, os pesquisadores estimam que milhares de outras também podem ter sido influenciadas pela seleção natural.
Entre os exemplos, está uma mutação associada ao risco de doença celíaca, que surgiu há cerca de 4 mil anos. Mesmo relacionada a uma condição autoimune, essa variação se tornou mais comum ao longo do tempo, o que sugere alguma vantagem evolutiva ainda não totalmente compreendida.
O estudo também analisou características influenciadas por múltiplos genes, conhecidas como traços poligênicos.
Entre 563 características avaliadas, 44 apresentaram sinais de seleção natural. Algumas variantes associadas ao risco de diabetes tipo 2 e ao acúmulo de gordura corporal tornaram-se menos frequentes ao longo do tempo.
Já alterações relacionadas ao comportamento, como predisposição ao tabagismo, também mostraram mudanças. Nesse caso, as variantes genéticas ligadas ao hábito vêm diminuindo na Europa ao longo de milhares de anos, embora os cientistas ainda não consigam explicar completamente o motivo.
As mudanças genéticas observadas podem estar relacionadas a transformações profundas no modo de vida humano.
A transição para a agricultura, por exemplo, alterou a dieta e pode ter influenciado a seleção de genes ligados ao metabolismo. Além disso, o surgimento de novas doenças ao longo da história também pode ter favorecido variantes associadas à resistência a infecções.
Em alguns casos, os pesquisadores identificaram que certas mutações aumentaram de frequência por um período e depois passaram a diminuir, indicando que vantagens evolutivas podem se transformar em desvantagens dependendo do contexto.
Apesar da dimensão dos dados, o estudo também gerou debate entre especialistas. Parte dos pesquisadores considera que os resultados representam um avanço importante na compreensão da evolução recente. Outros apontam que algumas conclusões, sobretudo as relacionadas a traços complexos, ainda dependem de mais evidências.
Ainda assim, o trabalho reforça a ideia de que a evolução humana permanece ativa e continua a influenciar características biológicas até hoje.