Rinoceronte da Era do Gelo: DNA foi recuperado a partir de carne preservada no estômago de um filhote de lobo (Divulgação)
Redatora
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 07h49.
Pesquisadores identificaram o genoma completo de um rinoceronte-lanoso que viveu há cerca de 14,4 mil anos, no fim da Era do Gelo. O DNA foi extraído de um pedaço de carne localizado no estômago de um filhote de lobo encontrado preservado no permafrost, próximo à vila de Tumat, na Sibéria. O estudo foi publicado na revista Genome Biology and Evolution.
O material permitiu a análise genética da espécie Coelodonta antiquitatis, um dos grandes mamíferos da megafauna que desapareceram ao final da Idade do Gelo ao lado de mamutes e dentes-de-sabre.
Os cientistas compararam o genoma da espécie com o de outros rinocerontes-lanosos que viveram entre 18 mil e 49 mil anos. A análise mostrou que a espécie permaneceu geneticamente saudável até os últimos milhares de anos antes da extinção. O colapso populacional teria ocorrido de forma rápida e coincidente com o aquecimento climático que encerrou a Era Glacial.
Segundo os pesquisadores, o desaparecimento do habitat característico do animal - o estepe-tundra - teria sido decisivo para a extinção. Embora humanos já ocupassem a região, não há evidências suficientes para associar a caça à redução da espécie, embora a participação humana não esteja completamente descartada.
O rinoceronte-lanoso era um mamífero herbívoro de grande porte, com até dois metros de altura, dois chifres, pelagem espessa e pernas curtas. A espécie se alimentava de gramíneas e vegetação baixa adaptada a ambientes frios e secos. Seu parente vivo mais próximo é o rinoceronte-de-sumatra.
Os restos de dois filhotes de lobo-cinzento foram encontrados em excelente estado de conservação. O filhote que continha o tecido de rinoceronte no estômago provavelmente morreu pouco tempo após consumir a carne, já que o material não havia sido digerido.
Além disso, análises indicaram que os filhotes ainda consumiam leite, o que sugere que a carne pode ter sido obtida pela mãe ou pela matilha a partir de uma carcaça.