Criatura semelhante à esponja é descoberta acidentalmente na Antártica

Geólogos chilenos buscavam amostras de sedimentos, mas encontraram um animal jamais antes visto

Um estudo publicado na revista Frontiers in Marine Science mostrou que há muita mais vida do que esperado embaixo das plataformas de gelo da Antártica. Acidentalmente, pesquisadores do Chile descobriram a existência de animais estacionários, semelhantes às esponjas, presos em uma pedra no fundo do mar.

Este é o primeiro registro de uma comunidade de rochas nas profundezas de uma plataforma de gelo. Por enquanto, não há como o estudo ser aprofundado, porque os pesquisadores necessitam de algumas ferramentas para coletar amostras destes organismos.

“Para responder às nossas perguntas, teremos que encontrar uma maneira de nos aproximarmos desses animais e de seu ambiente — e isso está a menos de 900 metros de gelo, 260 quilômetros de distância dos navios onde nossos laboratórios estão”, disse o autor principal do estudo, Dr. Huw Griffiths. "Isso significa que, como cientistas polares, teremos que encontrar maneiras novas e inovadoras de estudá-los e responder a todas as novas questões que temos."

Durante a pesquisa exploratória, o grupo perfurou 900 metros de gelo na plataforma de gelo Filchner-Ronne, situada no sudeste do Mar de Weddell. Eles estavam a uma distância de 260 quilômetros do oceano aberto, sob completa escuridão e com temperaturas chegando até -2,2 °C — nesta condição, pouquíssimos animais já foram observados.

"Esta descoberta é um daqueles acidentes afortunados que empurra as ideias em uma direção diferente e nos mostra que a vida marinha da Antártica é incrivelmente especial e incrivelmente adaptada a um mundo congelado", comenta Griffiths.

Atualmente, as teorias sobre a vida sob plataformas de gelo sugerem que toda existência se torna menos abundante à medida que ela se afasta da luz solar e das águas abertas. Por isso, a descoberta acidental dos geólogos chilenos foi uma surpresa. O plano original da equipe era coletar amostras de sedimentos, mas acabaram dando de cara com "uma grande pedra coberta por estranhas criaturas".

"Nossa descoberta levanta muito mais perguntas do que respostas, como como eles chegaram lá? O que eles estão comendo? Há quanto tempo estão lá? Quão comuns são essas pedras cobertas em vida? São as mesmas espécies que vemos fora da plataforma de gelo ou são espécies novas? E o que aconteceria a essas comunidades se a plataforma de gelo colapsasse?", indaga Griffiths.

Com 1,5 quilômetro quadrado da plataforma continental da Antártica, as plataformas de gelo flutuantes representam o maior habitat inexplorado no Oceano Antártico. Deste vasto espaço, apenas o equivalente a uma quadra de tênis já foi estudado.

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