Covid-19: O que se sabe sobre a variante 'mutante duplo' da Índia

A nova variante indiana e o relaxamento das medidas de combate à pandemia levaram a 315.000 novos casos no país em 24 horas; cepa já está presente em 21 países

A Índia enfrenta uma nova onda extrema do coronavírus. Na última quinta-feira, 22, o país registrou 315.000 novos casos em 24 horas, um recorde mundial que deixa os hospitais de Nova Delhi no limite de suas capacidades e diante de uma preocupante escassez de oxigênio medicinal.

Enquanto isso, cientistas tentam entender o papel que as variantes do coronavírus podem ter tido no aumento de casos. Uma nova cepa, chamada de "mutante duplo", pode ser a responsável por trás do colapso no país, além de outros fatores como o relaxamento das medidas de controle da pandemia (como distanciamento social e uso de máscaras).

A primeira amostra da cepa do mutante duplo foi encontrada na Índia em outubro e se espalhou rapidamente por partes do país. Porém, o ritmo rápido do surto na última semana pegou especialistas em saúde pública de surpresa.

Em fevereiro, a contagem diária de casos na Índia estava em menos de 10.000 e as mortes estavam nos dois dígitos. Dois meses depois, os casos diários foram para 200.000 por oito dias consecutivos. As mortes chegaram a um total de 186.920.

“As pessoas foram apanhadas despreparadas”, disse Lalit Kant, epidemiologista de doenças infecciosas, ao Wall Street Journal. “Não esperávamos que tantos números de pessoas fossem infectados, e tantos números de pessoas que precisariam de assistência médica.”

Assim como as variantes brasileira, sul-africana e britânica, ela é mais contagiosa do que o SARS-CoV-2, vírus original do coronavírus. Segundo o Ministério da Saúde da Índia, as três cepas, que são consideradas como uma variante de preocupação (VOC) pela Organização Mundial de Saúde (OMS), já estão presentes no país.

De acordo com diretor de uma ala do Ministério, Sujeet Singh, a variante do Reino Unido foi responsável por metade dos casos na última semana de março em Nova Delhi.

O que se sabe sobre a variante "mutante duplo" da Índia?

Chamada de B.1.617, a variante indiana tem 13 mutações, mas recebe o apelido de "duplo" por conta de duas mutações que são semelhantes às observadas em outras cepas. Uma das mutações torna o vírus mais infeccioso e aparenta ser melhor na evasão de anticorpos, enquanto a outra tem semelhanças com uma mutação que parece ser capaz de contornar algumas respostas imunológicas do corpo.

Ela se disseminou rapidamente por algumas regiões da Índia. No estado de Maharashtra, ela já é a cepa dominante: segundo estudo do Instituto Nacional de Virologia de Pune, mais de 60% das amostras coletadas entre janeiro e março eram da variante.

Na quarta semana de março, a variante estava em 70,4% das amostras coletadas no país em geral. Três semanas antes, ela estava presente em 16,1%, uma diferença de 54,%. A informação é do Covid CG, uma ferramenta de rastreamento do Broad Institute of MIT e Harvard.

Neste aumento, pessoas entre 26 e 44 anos são responsáveis ​​por cerca de 40% do total de casos e 10% das mortes, em comparação com a onda anterior, quando quase todas as mortes ocorreram com 60 anos ou mais. A campanha de vacinação pode ser uma explicação para o fenômeno: assim como no Brasil, a Índia também priorizou os idosos e vacinou eles primeiro.

Agora, cientistas nos Estados Unidos, na Índia e em outros países estão estudando o mutante duplo em laboratórios para ver sua resposta a anticorpos. Por enquanto, eles já garantem que ele tem o potencial de causar outras infecções em todo o mundo.

“Uma vez que se torna uma variante dominante em algum lugar, torna-se preocupante porque isso significa que logo poderá se tornar a variante dominante em outro lugar”, disse Alina Chan, pesquisadora de pós-doutorado no Broad Institute of MIT e Harvard.

Variante já está em outros países

De acordo com pesquisadores que rastreiam linhagens virais, o vírus já atingiu pelo menos 21 países, como Estados Unidos, Alemanha, Turquia, Austrália, Nova Zelândia, Nigéria, entre outros. No Reino Unido, sequenciadores de genoma encontraram a variante entre pessoas que não viajaram, sugerindo que ela se espalhou pela comunidade.

Na última semana, a Austrália identificou a presença da mutação em 40% das amostras coletadas, em comparação com 16,7% no mês anterior. Já duas semanas atrás, a Nova Zelândia encontrou a cepa em 66,7% das suas amostras, ante 20% um mês atrás.

Vale ressaltar, porém, que os dois países são exemplares no combate à pandemia: no último mês, a região australiana registrou somente 417 casos, enquanto a Nova Zelândia teve 130.

A cepa ainda não foi identificada no Brasil.

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