Com um bilhão de doses aplicadas, quais são os países mais vacinados?

O mundo ultrapassou o marco de 1 bilhão de doses aplicadas, mas quase metade vem dos Estados Unidos e da China; nessa corrida, como ficam os outros países?

Após quase um ano e meio de pandemia, o mundo conseguiu atingir a marca global de um bilhão de doses distribuídas contra o novo coronavírus em quatro meses.

As primeiras vacinações começaram nos Estados Unidos e no Reino Unido após a Organização Mundial de Saúde (OMS) aprovar a vacina da Pfizer com a BioNTech para uso emergencial. A velocidade das campanhas em alguns países é notável, mas também evidencia a distribuição desigual entre regiões mais ricas.

Até o dia 27 de abril, 1,06 bilhão de doses foram administradas em 570 milhões de pessoas, o que significa que por volta de 7,3% da população de 7,79 bilhões recebeu ao menos uma dose. Mais de 75% da população mundial precisa ser vacinada para controlar a pandemia, estimam cientistas.

“É uma conquista científica sem precedentes. Ninguém poderia imaginar que, em 16 meses após a identificação de um novo vírus, teríamos vacinado um bilhão de pessoas em todo o mundo com uma variedade de vacinas diferentes, usando plataformas diferentes e feitas em países diferentes ”, disse Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS.

Distribuição desigual é problema

A corrida pela encomenda de vacinas acabou realçando ainda mais os problemas de desigualdade pelo mundo. Cerca de três quartos de todas as doses foram para apenas dez países. Só a China e os Estados Unidos representam quase metade de todas as doses distribuídas, enquanto apenas 2% foram para todo o continente africano.

“É absolutamente incrível que em pouco tempo desenvolvemos várias vacinas e recebemos um bilhão de doses administradas, mas a maneira como aconteceu piorou as iniquidades em todo o mundo”, diz Krishna Udayakumar, diretor associado de inovação do Duke Global Health Institute.

Levando em consideração o tamanho da população, os países mais avançados (considerando ao menos uma dose por pessoa) são: Israel (62,2%); Butão (61,7%); Maldivas (53,4%); Emirados Árabes Unidos (51,4%); Reino Unido (49,6%); Malta (48%); Estados Unidos (41,8%); Chile (41,6%); Bahrein (38,8%) e Hungria (37,3%).

Com a vacinação lenta na grande maioria dos países, o tema da desigualdade continuará forte durante 2021. Mesmo lidando bem com suas próprias campanhas, os países mais ricos não terão como "voltar ao normal" se o resto do mundo não caminhar junto com a volta de voos internacionais e o surgimento de novas variantes, por exemplo, a previsão é que a luta contra o coronavírus está longe de acabar para todos.

“Você não pode fazer isso com menos de uma dúzia de países totalmente vacinados. Em termos de salvar vidas e restaurar a economia global, precisamos que lugares como Mianmar e Papua-Nova Guiné tenham sucesso”, disse Peter Hotez, cientista de vacinas do Baylor College of Medicine.

Outro alerta para os países que vacinam mais rápido é a falta de acesso entre as minorias dentro da própria região. Um estudo realizado no Reino Unido, por exemplo, descobriu que, de 1,1 milhão de idosos com mais de 80 anos que foram tratados por problemas de saúde no início do ano, 42,5% dos participantes brancos foram vacinados contra o coronavírus, em comparação com apenas 20,5% dos participantes negros.

Divisões socioeconômicas também foram percebidas pelos criadores do estudo. “Vacinar apenas parcelas da população não é uma estratégia eficaz e nos deixa vulneráveis ​​a novas variantes”, alerta Udayakumar. “Uma pandemia global só pode ser enfrentada com uma resposta global.”

Udayakumar afirma que os fabricantes globais de vacinas estão aumentando a produção para atender à demanda, mas isso "pode levar de 6 a 12 meses para ser alcançado". Porém, em uma nota mais positiva, Swaminathan acredita que vamos alcançar o marco de 2 bilhões de doses distribuídas muito mais rápido do que o primeiro bilhão.

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