Ciência

Cientistas criam IA que identifica sinais de risco de suicídio em mensagens

Modelo foi treinado com cerca de 16 mil conversas e avalia 49 fatores para diferenciar casos que exigem atenção mais rápida

Mensagens: ferramenta analisa padrões na linguagem para estimar diferentes níveis de risco de suicídio (Freepik)

Mensagens: ferramenta analisa padrões na linguagem para estimar diferentes níveis de risco de suicídio (Freepik)

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 17h34.

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Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial que analisa mensagens de texto para identificar sinais associados ao risco de suicídio.

O sistema foi desenvolvido a partir de cerca de 16 mil conversas entre pessoas em sofrimento e voluntários treinados da Crisis Text Line, organização que oferece apoio gratuito e confidencial por mensagens. O estudo foi publicado na revista científica Journal of Psychopathology and Clinical Science.

Os pesquisadores descobriram que determinados tipos de linguagem estavam mais associados aos casos considerados de maior risco. Referências a meios letais e uso de substâncias, por exemplo, tiveram maior peso do que menções a humor deprimido ou fadiga.

Como a IA analisa as mensagens?

Para desenvolver a ferramenta, os pesquisadores criaram um léxico baseado em 49 fatores associados ao risco de suicídio.

Uma inteligência artificial foi utilizada inicialmente para gerar palavras e expressões relacionadas a fatores já estabelecidos associados à ideação, à tentativa e à morte por suicídio. Depois, o conteúdo passou por revisão manual e validação de especialistas. A versão final reúne cerca de 60 termos ou expressões para cada fator.

Com esse material, a equipe treinou um modelo de aprendizado de máquina para localizar os termos nas conversas e estimar a gravidade de cada caso.

As mensagens utilizadas no estudo haviam sido classificadas pela Crisis Text Line em três grupos: ausência de comportamento suicida, ideação suicida sem risco iminente e risco iminente.

Nesse último grupo estavam pessoas que tinham um plano de suicídio ou manifestavam intenção de morrer nas 48 horas seguintes.

Quais sinais tiveram maior peso?

Além das referências a meios letais e ao uso de substâncias, expressões relacionadas à ideação suicida ativa e à autolesão apareceram entre os indicadores mais relevantes. Ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e dor emocional apresentaram associação intermediária.

Como cada termo está ligado a um fator específico, o modelo consegue atribuir pesos diferentes a essas características e indicar quais delas contribuíram para a estimativa.

Depois do treinamento, a ferramenta foi testada em conversas que não haviam sido apresentadas anteriormente ao sistema e conseguiu estimar a gravidade do risco nesses novos textos.

Ferramenta ainda tem limitações

Apesar dos resultados positivos, o método não considera necessariamente todo o contexto em que uma palavra aparece. Como depende de um léxico predeterminado, também pode deixar de identificar expressões semelhantes que não estejam cadastradas.

Por outro lado, o modelo é relativamente simples e pode funcionar em um computador pessoal. Isso exige menos capacidade computacional do que grandes modelos de linguagem e pode reduzir custos e preocupações relacionadas à privacidade.

Os pesquisadores destacam que sistemas desse tipo ainda precisam ser amplamente validados antes de serem empregados clinicamente. Mudanças na linguagem e diferenças entre populações também podem exigir atualizações constantes.

A equipe já utiliza o léxico em novas pesquisas com textos de outras fontes, incluindo redes sociais e prontuários eletrônicos de saúde, para investigar como essas informações podem auxiliar na avaliação do risco de suicídio.

Mesmo com o avanço da tecnologia, os pesquisadores consideram a participação de profissionais essencial nesse tipo de avaliação.

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