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Cheiro de chuva existe? A ciência explica

Diferenças genéticas no sistema olfativo explicam por que nem todos percebem o cheiro de chuva

Tempestades severas atingem RS neste domingo e segunda (Getty Images)

Tempestades severas atingem RS neste domingo e segunda (Getty Images)

Publicado em 12 de março de 2026 às 09h24.

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Muitas pessoas dizem sentir um cheiro característico logo antes ou durante a chuva. Esse aroma realmente existe e possui até um nome científico: petricor.

O termo foi descrito pela primeira vez em 1964 pelos cientistas Isabel Joy Bear e R. G. Thomas, em um artigo publicado na revista Nature.

Os pesquisadores investigaram o fenômeno após estudos realizados na Índia e concluíram que o cheiro associado à chuva é resultado de uma mistura de compostos químicos liberados quando a água entra em contato com o solo seco.

Esse aroma não é produzido por uma única substância, mas sim por diferentes elementos que podem aparecer juntos ou separadamente.

O que causa o cheiro de chuva?

O chamado petricor surge quando a chuva atinge o solo e libera compostos presentes na terra, em microrganismos e na vegetação.

Entre os principais fatores estão:

  • Liberação de compostos do solo seco: quando a chuva cai após períodos de estiagem, partículas presentes no solo são liberadas no ar.
  • Geosmina produzida por bactérias: microrganismos do solo chamados actinomicetos produzem a substância geosmina, responsável por parte do cheiro terroso característico.
  • Óleos liberados pelas plantas: algumas plantas produzem compostos oleosos que se acumulam no solo e são liberados pela ação da chuva.
  • Formação de ozônio durante tempestades: descargas elétricas de raios podem gerar reações químicas na atmosfera que produzem odores metálicos associados à chuva.

Pesquisas indicam que o olfato humano é extremamente sensível à geosmina. Mesmo em concentrações muito pequenas, muitas pessoas conseguem perceber essa substância no ar.

Por que algumas pessoas não sentem o cheiro da chuva?

Apesar de ser um fenômeno comum, nem todo mundo percebe o cheiro da chuva da mesma forma. Isso acontece porque cada pessoa possui um conjunto único de receptores olfativos, responsáveis por detectar moléculas de odor.

O nariz humano possui cerca de 400 tipos de receptores, controlados por centenas de genes.

Diferenças genéticas podem fazer com que determinadas moléculas sejam percebidas com mais intensidade por algumas pessoas e quase não sejam detectadas por outras.

Além da genética, fatores como idade, histórico de infecções respiratórias, exposição à poluição e traumas nasais também podem influenciar a capacidade de perceber odores.

Experiências pessoais e associações emocionais também podem tornar certos aromas mais marcantes. Por isso, para algumas pessoas o cheiro de chuva pode ser muito evidente, enquanto outras quase não percebem esse fenômeno.

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