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Governo coreano sugere divisão de ganhos com IA e ações despencam

Primeiro ministro propôs que empresas de tecnologia compartilhem lucros acima do esperado com trabalhadores e fornecedores

Ações de 'tech' em baixa na Coreia do Sul: governo propõe compartilhamento de lucros (IA/ChatGPT/Exame)

Ações de 'tech' em baixa na Coreia do Sul: governo propõe compartilhamento de lucros (IA/ChatGPT/Exame)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 5 de junho de 2026 às 08h47.

A proposta do governo da Coreia do Sul para que os ganhos gerados pelo boom da inteligência artificial (IA) sejam distribuídos de forma mais ampla entre trabalhadores e fornecedores ajudou a ampliar a pressão sobre as ações de tecnologia nesta sexta-feira, 5.

O destaque negativo ficou com o Kospi, principal índice sul-coreano, que caiu 5,54%, aos 8.160,59 pontos. Já o índice Kosdaq, voltado para empresas de menor capitalização e tecnologia, perdeu 4,50%.

O índice Nikkei 225, do Japão, caiu 1,31%, aos 66.588,12 pontos, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,15%. Na China continental, o índice de Xangai perdeu 0,74%, e o S&P/ASX 200, da Austrália, fechou em baixa de 0,70%. Na Índia, o Nifty 50 teve queda mais moderada, de 0,21%.

O desempenho refletiu sobretudo a forte desvalorização das gigantes Samsung e SK Hynix, duas das maiores fabricantes de chips do mundo. Os papéis recuaram 6,40% e 9,92%, respectivamente, de acordo com fontes consultadas pela CNBC.

A fala do ministro ocorreu em meio a lucros recordes das fabricantes de semicondutores, impulsionados pela corrida global por infraestrutura de IA. A avaliação do governo é que os benefícios econômicos desse crescimento precisam alcançar uma parcela maior da população, evitando o aprofundamento da desigualdade de renda.

O movimento aumentou a cautela dos investidores justamente em um momento em que o mercado global revisa suas expectativas para o setor. Na véspera, a Broadcom perdeu mais de 12% em Wall Street após divulgar uma receita trimestral abaixo das projeções dos analistas.

E a correção atingiu todo o segmento de semicondutores. O ETF VanEck Semiconductor caiu mais de 1%, enquanto Arm Holdings recuou mais de 4% e Micron Technology perdeu quase 8%.

O impacto foi mais visível na Nasdaq, que recuou 0,09%, enquanto o S&P 500 avançou 0,41%. Menos dependente das gigantes de tecnologia, o Dow Jones subiu 1,73% e renovou sua máxima histórica, refletindo uma migração de recursos para setores considerados menos expostos ao ciclo da IA.

Apesar da pressão sobre as ações de chips, o ambiente global foi, parcialmente, amparado por sinais de redução do conflito no Oriente Médio. Um novo acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e Líbano alimentou expectativas de avanço nas negociações para encerrar a guerra, reduzindo a busca por ativos de proteção.

Houve queda das commodities energéticas, o que também contribuiu para o recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, Treasuries.

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