Future of Money

Blockchain deve ser a única base do mercado de capitais no futuro, diz executivo da Anbima

Projeto liderado pela associação e conduzido por bancos e tokenizadoras testa novas formas de emissão e negociação digital de ativos enquanto o setor discute ajustes nas regras

 (Reprodução/Reprodução)

(Reprodução/Reprodução)

Ricardo Bomfim
Ricardo Bomfim

Editor do Future of Money

Publicado em 14 de maio de 2026 às 19h38.

Tudo sobreBlockchain
Saiba mais

A eficiência do blockchain para registro e liquidação de ativos já está comprovada e, a menos que se descubra algum risco muito grande, essa infraestrutura deve ser a base do mercado de capitais do futuro. A afirmação vem de Marcelo Billi, superintendente de sustentabilidade, educação e inovação da Anbima. 

“No futuro, não vai fazer sentido termos registros diferentes. Com o tempo, vamos ter só o mercado tokenizado. Mas, por enquanto, os sistemas legado das instituições financeiras são muito eficientes”, disse.  

  • Invista com os especialistas do BTG Pactual unindo performance e proteção de patrimônio. Acesse a Carteira Reserva de Valor no app da Mynt e ganhe cashback de R$ 50 com o cupom FOM26.

Em entrevista à EXAME durante o evento de pré-lançamento do Blockchain.RIO 2026, Billi falou sobre o projeto piloto para tokenização de debêntures e cotas de fundos de investimento que ocorre atualmente sob a liderança da associação. De acordo com ele, os testes já envolvem 51 instituições que trabalham em 20 casos de uso, de um total de 39 que foram submetidos pelos participantes do projeto.  

Ao contrário do projeto do Drex, do Banco Central, o piloto de tokenização da Anbima permite que as instituições testem suas soluções em qualquer rede blockchain. Bancos como Banco do Brasil, Santander, Itaú, Safra, Caixa e Banco BV trabalham na emissão de tokens dentro do ambiente.  

Já a tokenizadora VERT, segundo apuração da EXAME, explora a aplicação da governança de Organizações Autônomas Descentralizadas (DAOs, na sigla em inglês) para assembleias de fundos de investimento.  

“Suponhamos que uma debênture precise de extensão de prazo, a ideia é que levemos isso para votação em assembleia com carteiras digitais blockchain e, uma vez aprovada, as alterações de parâmetros são implantadas diretamente nos contratos inteligentes”, explicou Gabriel Braga, diretor de ativos digitais da VERT.  

Mudança regulatória 

Segundo Billi, para o mercado de ativos tokenizados atingir a dimensão e escala que a tecnologia permite, talvez seja necessária uma alteração regulatória. Hoje, as ofertas de tokens são reguladas pela resolução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que trata de crowdfunding, mas não há uma regra específica para ativos registrados, negociados e liquidados em blockchain.  

“A maneira como acontecem as coisas em blockchain são diferentes das que existiam no mercado tradicional. Vai continuar precisando proteger investidor e trazer suitability [adequação ao risco], mas o comando regulatório talvez precise mudar”, argumenta.  

Entregar uma sugestão aos reguladores sobre como estabelecer normas para o mercado de tokens sem coibir a inovação e nem flexibilizar a segurança dos investidores é um dos objetivos do piloto da Anbima. Tanto CVM quanto BC estão no comitê de acompanhamento do projeto para receber atualizações sobre os resultados dos testes.  

O executivo diz que o desenvolvimento dos casos de uso reproduz a diversidade das funções que existem no mercado tradicional, mas não necessariamente com os mesmos agentes. A escrituração do ativo, por exemplo, precisa ser feita mesmo que não haja um banco intermediário escriturador como no mercado tradicional.  

“O grande dilema original é que todo o nosso mercado foi organizado para resolver os problemas centralizando em alguns agentes. O blockchain é o contrário disso. Como seria uma regulação que acolha esse novo jeito?”, questiona Billi.  

Assim, o objetivo de colocar os bancos, tokenizadoras e outras instituições para cooperar no projeto é tentar obter um consenso sobre qual será a melhor forma de organizar a tokenização em um mercado padronizado e eficiente, capaz de extrair todo o potencial do blockchain.  

“Uma coisa que já consensuamos é que precisamos fazer isso juntos, não adianta players individuais fazerem isso. Criar um mercado tokenizado não é um problema tecnológico, é de construção da infraestrutura”, defende o executivo da Anbima.  

Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | X | YouTube  Tik Tok  

Acompanhe tudo sobre:TokenizaçãoAnbimaBlockchain

Mais de Future of Money

Nova exigência do BC eleva padrão de compliance no mercado de ativos virtuais

IPO da SpaceX traz bons presságios para o mercado financeiro global

Pessoas físicas usam IA para consulta; fundos americanos usam como vantagem competitiva

Stablecoins no Brasil: entre a necessidade de regular e o risco de restringir