Ciência

Após abandonar emprego, homem compra ilha para transformá-la no 'paraíso' para animais em extinção

Investimento modesto deu origem a um projeto de conservação ambiental que transformaria o território abandonado em um modelo reconhecido internacionalmente

Brendon Grimshaw: o homem que abandonou a carreira para proteger animais em ilha abandonada (Redes Sociais/Reprodução)

Brendon Grimshaw: o homem que abandonou a carreira para proteger animais em ilha abandonada (Redes Sociais/Reprodução)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 20h36.

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Em 1962, o jornalista britânico Brendon Grimshaw decidiu mudar de vida ao abandonar o cargo de editor em um importante jornal local e adquirir a Ilha Moyenne, uma pequena porção de terra no arquipélago das Seicheles, por cerca de 8 mil libras.

O investimento, considerado modesto na época, deu origem a um projeto de conservação ambiental que transformaria o território abandonado em um modelo reconhecido internacionalmente.

Quando Grimshaw chegou ao local, encontrou um ambiente degradado e sem presença significativa de fauna. Sem apoio estatal ou financiamento, iniciou sozinho a recuperação da ilha.

Ao lado de René Antoine Lafortune, seu parceiro no projeto, dedicou décadas à reabilitação ecológica: trilhas abertas manualmente, reflorestamento e reintrodução de espécies nativas marcaram o esforço. Estima-se que mais de 16 mil árvores foram plantadas, entre elas mogno e palmeiras, essenciais para a estabilidade do solo e a retomada da biodiversidade.

Proteção da fauna

A iniciativa também priorizou a fauna. Grimshaw criou condições para acolher tartarugas-gigantes, espécie endêmica das Seicheles, e favorecer o retorno de aves nativas. A ausência de caça e atividades comerciais permitiu o desenvolvimento de uma fauna livre, sem cercas ou interferência humana direta.

Ao longo do tempo, Moyenne consolidou-se como santuáritro natural. Mesmo diante de ofertas milionárias, Grimshaw recusou vender a ilha, temendo a exploração turística ou a descaracterização do ecossistema. Seu foco permaneceu na integridade do ambiente e na segurança dos animais que ali viviam.

Grimshaw permaneceu em Moyenne até sua morte, em 2012, mantendo uma rotina voltada à manutenção da ilha. Após seu falecimento, o território foi incorporado ao Parque Nacional Marinho das Seicheles, garantindo proteção legal ao ecossistema e continuidade ao projeto de preservação.

A trajetória da Ilha Moyenne destaca o impacto potencial de ações individuais guiadas por princípios de conservação e responsabilidade ambiental. O legado de Brendon Grimshaw segue como exemplo de transformação ecológica baseada em compromisso de longo prazo.

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