Ciência

Ansiedade social? Estudo mostra como hormônio artificial pode 'blindar' o cérebro

Pesquisa em ratos indica efeito preventivo do hormônio sintético antes da exposição ao estresse crônico

Estudo da Unesp analisou respostas cerebrais após exposição ao estresse social crônico (Foto/Thinkstock)

Estudo da Unesp analisou respostas cerebrais após exposição ao estresse social crônico (Foto/Thinkstock)

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 06h15.

A ocitocina sintética pode prevenir a ansiedade provocada pelo estresse social, segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Os resultados foram obtidos em ratos de laboratório e publicados na revista científica Progress in Neurobiology.

A pesquisa mostrou que a carbetocina, análogo sintético da ocitocina, atua de forma preventiva quando administrada antes da exposição ao estresse. O composto não apresentou efeito ansiolítico direto, mas evitou alterações comportamentais associadas à ansiedade.

O estudo foi conduzido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e analisou como o sistema ocitocinérgico influencia respostas emocionais relacionadas ao estresse social crônico.

Como a ocitocina sintética atua na ansiedade por estresse social

Nos experimentos, os cientistas utilizaram um modelo conhecido como "derrota social". Nesse método, ratos intrusos são expostos repetidamente a interações agressivas com animais dominantes, situação que induz estresse social.

Após as sessões, os animais foram avaliados em um labirinto em cruz elevado, teste amplamente usado para medir comportamento do tipo ansioso. Ratos submetidos ao estresse apresentaram redução da exploração de áreas abertas, comportamento associado ao aumento da ansiedade.

Já os animais tratados previamente com carbetocina mantiveram padrões semelhantes aos do grupo-controle, que não passou pelo estresse. Segundo os pesquisadores, o composto não tornou os animais mais destemidos, mas impediu o surgimento do comportamento ansioso.

Para confirmar o mecanismo de ação, a equipe bloqueou os receptores de ocitocina antes da administração da carbetocina. A barreira eliminou o efeito protetor, indicando que a resposta depende da ativação direta desse sistema.

Região do cérebro envolvida no efeito preventivo

Os pesquisadores também analisaram o córtex pré-frontal medial, área associada ao controle emocional e às respostas ao estresse. A carbetocina aumentou a expressão de receptores de ocitocina em subáreas dessa região cerebral.

Quando antagonistas da ocitocina foram utilizados, esse aumento não ocorreu. O achado reforça o papel do córtex pré-frontal na modulação da ansiedade induzida por estresse social.

Apesar dos resultados, os autores destacam que o estudo representa uma etapa inicial de investigação biológica. Novas pesquisas ainda são necessárias antes de qualquer aplicação clínica em humanos.

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