Aliança global pela vacina da covid-19 encerra prazo de adesão dos países

Iniciativa liderada pela OMS com participação de 170 países pretende criar fundo global para garantir acesso à vacina; Brasil pediu mais tempo para decidir

Termina nesta sexta-feira (18) o prazo para que os países interessados em participar de uma coalizão internacional de vacinação contra o novo coronavírus apresentem um compromisso formal de colaboração financeira com o programa, conhecido pelo nome Covax. O Brasil, que é um dos principais interessados, pediu ontem mais tempo à Organização Mundial da Saúde (OMS) para decidir se irá comprometer com o grupo ou não. Ao todo, 170 países participam da iniciativa, de acordo com a OMS.

O programa global de imunização contra a covid-19 começou a ser estruturado ainda em abril com o objetivo de garantir o acesso às vacinas para toda a população mundial, especialmente nos países de baixa renda e renda-média, onde os governos não possuem recursos suficientes para comprar as doses.

O temor da OMS é de que esses países fiquem sem a imunização caso tenham que competir com os países mais ricos para comprar vacinas no mercado internacional. A falta de vacina para um determinado país deixa em risco todos os demais países, que ficam sujeitos a novos surtos da covid-19 a qualquer momento.

O plano da OMS é criar um fundo global para adquirir 2 bilhões de doses das vacinas até o fim de 2021. Os países participantes terão o direito de receber um número suficiente de doses para imunizar 20% da sua população. Parte dos recursos do fundo será usada para financiar a compra de vacinas dos países mais pobres, mesmo que não possam pagar imediatamente por elas. Cerca de 90 países estão no grupo dos que podem receber as vacinas em condições mais vantajosas.

Outros 80 países mais ricos que expressaram interesse em participar do programa, incluindo o Brasil, contribuiriam com a maior parte dos recursos do fundo e também poderiam ter acesso às vacinas da mesma maneira.

Os organizadores do fundo deram um prazo até esta sexta-feira, 18 de setembro, para que os países interessados formalizassem o compromisso de investimento no programa. O plano da OMS é que o dinheiro já comece a ser repassado a partir do início de outubro, para acelerar o desenvolvimento e a produção das vacinas.

Ontem, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, pediu aos países que ainda não tinham se comprometido financeiramente para que o fizessem o quanto antes. “Até agora, 3 bilhões de dólares foram investidos no projeto. Isso resultou em uma fase inicial de muito sucesso, mas é apenas um décimo dos 35 bilhões de dólares restantes necessários para expansão e impacto. Quinze bilhões de dólares são necessários imediatamente para manter o ímpeto e permanecer no caminho certo para o nosso ambicioso cronograma”, disse ele.

Países como Reino Unido, Japão, Canadá, Portugal e Israel estão entre os interessados em participar e contribuir com o programa, assim como o Brasil e o México na América Latina. Os Estados Unidos decidiram não participar, porque se opõem à liderança da OMS no assunto.

Uma das preocupações do governo brasileiro é o fato de o país ter de contribuir com uma parte significativa do fundo, uma vez que tem uma população numerosa.  Sem a participação, no entanto, o Brasil corre o risco de ter mais dificuldade para ter acesso às vacinas.

Ao todo, nove vacinas candidatas fazem parte do programa global de vacinação, incluindo a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, e a vacina da empresa de biotecnologia americana Moderna.

Além da OMS, a iniciativa conta com o apoio da entidade filantrópica CEPI, que promove o desenvolvimento de vacinas no mundo e tem financiamento do bilionário Bill Gates, e da aliança Gavi, uma organização público-privada, também voltada para a promoção de vacinas.

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