Ciência

Açúcar é vilão? Estudo sugere que nutriente foi essencial para a evolução humana

Pesquisadores apontam que frutas, mel e alimentos ricos em amido podem ter ajudado a impulsionar o desenvolvimento do cérebro humano

Açúcar: pesquisadores defendem que fontes naturais de glicose tiveram papel importante na evolução humana (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Açúcar: pesquisadores defendem que fontes naturais de glicose tiveram papel importante na evolução humana (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 12 de agosto de 2026 às 08h54.

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Durante décadas, a evolução humana foi explicada principalmente pelo aumento do consumo de carne e gordura animal, mas, agora, pesquisadores propõe ampliar essa visão. Segundo um estudo publicado na última quinta-feira, 6, na revista Science, os açúcares presentes em frutas, mel e alimentos ricos em amido também tiveram papel decisivo no desenvolvimento do cérebro humano e na evolução da nossa espécie.

Cientistas da Universidade de Sydney, na Austrália, argumentam que a busca por carboidratos foi tão importante quanto a caça para garantir energia suficiente às necessidades metabólicas do cérebro, sobretudo durante a gestação, a infância e outras fases críticas do desenvolvimento.

Como o estudo foi feito

Para os resultados, os pesquisadores analisaram dietas de grandes primatas, populações tradicionais e estudos sobre o metabolismo humano para compreender como os açúcares influenciaram a evolução.

Segundo os autores, o cérebro humano depende principalmente da glicose para funcionar. Embora o organismo consiga produzir o açúcar a partir de proteínas e gorduras, esse processo é mais lento, consome mais energia e não seria suficiente para atender, de forma eficiente, às demandas de um cérebro em expansão.

Por isso, alimentos naturalmente ricos em carboidratos teriam sido fundamentais para sustentar o aumento do tamanho e da complexidade cerebral ao longo de milhões de anos.

Carne continua importante, mas não explica toda a evolução humana

Os pesquisadores não contestam a importância da carne evolução dos primeiros representantes do gênero Homo. Evidências arqueológicas mostram que, há cerca de 2 milhões de anos, ferramentas de pedra passaram a ser usadas para acessar carne, gordura e tutano de grandes animais, alimentos ricos em energia.

Essa hipótese sempre esteve associada ao aumento do tamanho do cérebro observado nesse período. O novo estudo, porém, argumenta que essa explicação está incompleta.

Segundo o estudo, uma alimentação baseada quase exclusivamente em proteína animal apresentaria limitações, já que o cérebro necessita de um fornecimento constante de glicose para funcionar adequadamente.

Na avaliação dos pesquisadores, os ancestrais humanos continuaram coletando frutas sempre que possível e também buscavam mel, uma das fontes naturais mais concentradas de açúcares antes da agricultura.

Outro alimento considerado essencial foi o amido presente em raízes, tubérculos e sementes. As ferramentas de pedra, tradicionalmente associadas à caça, também teriam servido para triturar e preparar esses vegetais, facilitando seu consumo.

Mais tarde, com o domínio do fogo, há cerca de 1 milhão de anos, o cozimento passou a aumentar a disponibilidade de glicose obtida a partir do amido, tornando esses alimentos ainda mais importantes para a alimentação humana.

Açúcar natural é diferente do consumo atual

Os pesquisadores destacam que a hipótese não contradiz os problemas associados ao excesso de açúcar na alimentação moderna.

Segundo eles, os impactos negativos à saúde estão ligados principalmente ao consumo de açúcares adicionados e alimentos ultraprocessados, que concentram grandes quantidades de açúcar sem fibras e outros nutrientes presentes em frutas, raízes e alimentos integrais.

Na estimativa apresentada pelo estudo, os primeiros hominíneos obtinham cerca de 65% da energia consumida a partir de frutas e outros alimentos naturalmente doces. Nos seres humanos atuais, essa proporção teria caído para aproximadamente 25%, ainda acima da participação das proteínas, estimada em cerca de 19%.

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