Para os admiradores de Frida Kahlo: exposição em Londres aborda trajetória da artista mexicana (Alexander Demianchuk/Getty Images)
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Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 18h02.
Última atualização em 27 de fevereiro de 2026 às 09h46.
Frida Kahlo foi uma pintora mexicana cuja obra autobiográfica é considerada uma das mais importantes do século 20. Mas como sua trajetória pessoal se transformou em um ícone global da arte e da cultura de massa? Essa é a pergunta que a galeria Tate Modern, em Londres, tenta responder na sua próxima grande exposição, intitulada "Frida: A Criação de um Ícone".
A exposição estreia em 25 de junho de 2026 e segue até o início de janeiro de 2027, e conta com 130 obras de Frida Kahlo, acompanhadas de trabalhos de artistas influenciados por ela, como o retrato de Tracey Emin caracterizada como Frida, fotografado por Mary McCartney em 2000. O conjunto inclui documentos, fotografias e objetos pessoais do acervo da artista.
A exposição chega a Londres após passagem pelo Museu de Belas Artes de Houston (MFAH), nos Estados Unidos, e é uma das mais aguardadas do calendário cultural da cidade. Em encontro com a imprensa no restaurante Kol, em Londres, o co-curador Tobias Ostrander descreveu a mostra como um estudo sobre como Frida "construiu sua própria imagem e identidade por meio de sua arte e sua aparência", segundo informações do The Conversation.
Os curadores afirmaram que, desde a morte da artista em 1954, sua imagem foi apropriada por diferentes movimentos sociais, como o feminista e o LGBTQ+, como símbolo de reinvenção de si e crítica às normas de gênero. A exposição aborda o uso consciente de vestimentas tradicionais de Tehuana, a recusa a padrões de gênero e a dimensão profundamente pessoal de sua pintura.
Ao mesmo tempo, a mostra discute a transformação de Frida em marca global, com a exibição de produtos licenciados associados à artista, para levantar o debate sobre o conflito entre o significado original de sua obra e o uso comercial de sua imagem.
A exposição também traz a relação de Kahlo com o surrealismo, a partir de obras exibidas em sua primeira mostra individual em Nova York, em 1938, e posteriormente em Paris. Também é abordada a apropriação da imagem da artista por comunidades migrantes mexicanas nos anos 1960, quando ela passou a ser associada a orgulho cultural e resistência política no exterior.
Paralelamente à mostra, a Tate Modern firmou parceria com o chef mexicano Santiago Lastra, do restaurante Kol, para criar um menu inspirado na vida e na obra de Frida Kahlo. O cardápio será servido no restaurante da galeria, no sexto andar, com vista para o rio Tâmisa, e terá detalhes divulgados em abril.
O menu fixo terá duas etapas e custará £41, com opção de compra conjunta com o ingresso da exposição por £66. A experiência estará disponível de 25 de junho a 31 de agosto de 2026. Segundo Lastra, a proposta é reinterpretar referências da cultura mexicana a partir de ingredientes do Reino Unido, em diálogo com o conceito da mostra