Streaming esportivo cresce rápido no Brasil; compare as opções

Sete canais se dividem com programações e jogos exclusivos; valores também podem pesar no bolso do telespectador

A infinidade de opções de canais e streaming mudaram a forma de o torcedor consumir futebol no Brasil. Se até outros tempos o telespectador tinha a disponibilidade apenas dos canais fechados, basicamente com SporTV e ESPN, e posteriormente o surgimento da FOX Sports e do Esporte Interativo, hoje o leque é bem maior. São ao menos sete canais que se dividem entre programações distintas e jogos exclusivos: Premiere Futebol Clube/Globoplay, DAZN, STAR+, HBO Max, EI Plus, Conmebol TV e NSports.

"É sem dúvida o presente e um caminho sem volta. Com a pandemia, o hábito de consumo de conteúdo digital cresceu muito em um curto espaço de tempo, ampliando assim o público disposto a consumir esse serviço e derrubando uma série de barreiras culturais que existiam. O grande benefício é sem dúvida a flexibilidade de dispositivos e grade de programação que o streaming traz", afirma Guilherme Figueiredo, diretor executivo da NSports, parceiro do COB na operação do Canal Olimpico do Brasil.

O canal NSports foi o responsável por transmitir conteúdo especial produzido pela plataforma de streaming esportivo, com acesso exclusivo às nove bases do Time Brasil no Japão. De acordo com o executivo, esse diferencial será o fator-chave para que o fã faça suas escolhas.

"A flexibilidade sem dúvida traz esse dilema da seleção de quais serviços assinar e então, nesses casos, o conteúdo que vai ser o diferencial na escolha. Quanto maior a frequência que um serviço conseguir oferecer conteúdo de interesse ao fã, maior a chance dele assinar o serviço e se manter na base de clientes recorrentes", completa.

Uma das mudanças mais comentadas a partir da última exibição da Copa Libertadores foi a chegada da Conmebol TV. O canal possui alguns jogos exclusivos, e isso gerou críticas daqueles que estavam acostumados a acompanhar as transmissões por SporTV e Fox Sports, além da próprio Globo. Para acompanhar os jogos pelo canal, é necessário desembolsar um valor mensal de R$ 39,90 por mês.

Bruno Maia, especialista em inovação e novas tecnologias do esporte, e que recentemente lançou o livro 'Inovação é o Novo Marketing', que trata desses assuntos, a tendência é que os conteúdos no streaming continuem crescendo de forma significativa por um período.

"A multiplicação de canais é uma tendência e estão todos disputando seus espaços, seja com produtores de conteúdo ou algumas novas startups. E algo a ser aproveitado é esse aumento de conteúdos de esporte para quem gosta dessas plataformas. O esporte é um dos principais pilares de audiência na TV a cabo. Ele ainda tem muito para crescer nas plataformas de streaming com a lei do mandante, a flexibilização dos diretos e com as mudanças que estão acontecendo agora, uma delas com narrativas diferentes que a do jornalismo ou a da transmissão.
Um grande exemplo são as séries The last Dance, All or Nothing e Sunderland Até morrer", aponta.

Já Renê Salviano, executivo que lançou neste ano a HeatMap, agência de marketing esportivo e comercial, focada em captação de patrocínios, observa que existe uma camada grande de torcedores que preferem consumir apenas produtos de seu próprio time, e dentre as opções de streaming existentes, ele acaba indo para aquela que mais lhe agrada, que são as TVs próprias dos clubes. Elas cresceram consideravelmente durante a pandemia e passaram a ser uma opção considerável com a ausência de público nos estádios e treinos fechados.

"Ao mesmo tempo em que apresentar opções específicas para cada torcida é importante, e isso os clubes desenvolveram muito bem neste período, o esporte foi o mais beneficiado com essa expansão do streaming. A disputa por audiência, as escolhas das produções por conteúdos diferenciados e a competitividade do mercado também foram aquecidas", opina.

Guilherme Figueiredo, da NSports, corrobora da opinião. "Com certeza o esporte é um dos conteúdos mais beneficiados com o crescimento do streaming. Com a possibilidade de vários eventos simultaneamente e em dispositivos diferentes, aumenta muito para o fã a oferta de conteúdo disponível e ainda abre espaço para outras modalidades além do futebol, já que não há mais a competição por espaço na grade, apenas a competição por atenção do fã, que pode fazer a sua escolha".

Mudanças pesam no bolso do torcedor

A quantidade de canais e conteúdos que surge é proporcional ao que pode pesar no bolso do torcedor. Com o aumento de opções para acompanhar as partidas, o fã do esporte mais popular do país sentiu no bolso a mudança. Ao todo, terá de desembolsar algo em torno de R$ 3 mil para assinar todos os serviços de pay-per-view e ter acesso aos jogos e conteúdos - isso, claro, ele opte por isso.

Para Marcelo Palaia, professor e especialista em marketing esportivo, os valores podem fazer com que o público migre para outros meios de consumo. "É um valor alto para a média de salário do brasileiro. Temos uma renda per capita mais baixa, é um fator que pode vir a prejudicar essa linha de receita dos clubes, e as pessoas que não tem renda tão altas começam a migrar para outras opções em que ele não paga. Os valores poderiam ser mais acessíveis", aponta.

Bruno Maia vai além e afirma que a tendência é que somente fique mais caro. Tão caro quanto se pagava na lógica da TV a cabo. "O que eu acho é vamos ter mais players de streaming chegando, disputando esse espaço, e a gente tem que aproveitar enquanto estão 'baratos' para customizar melhor aquilo que a gente quer e deixar de pagar aquilo que não consumimos. Vamos ter uma overdose de conteúdo nas mesmas plataformas, e por conta disso os preços subam e tenhamos menos players. Mas eu acho que isso é uma tendência que ainda leve entre três a cinco anos para começar a acontecer. Nos próximos 24 a 36 meses é ainda ficarmos nessa disputa de preço e conteúdo desses players se posicionado pensando no futuro", explica.

Uma outra novidade que tem acontecido no streaming é o modelo de distribuição via dados de rede de internet, fazendo com que toda logística de distribuição tenha sido alterada. Consequentemente, isso fez com que os preços também tivessem sido alterados e o mercado se redefinisse novamente. Até por isso, ao mesmo tempo em que o mercado cresce, deve ter um prazo para estagnar, segundo explica Bruno Maia.

"A longo prazo, sem dúvida nenhuma, eu acredito que a tendência é uma diminuição de fusões e aquisições entre esses players, como os que tiverem base de dados mais consolidada ou reconhecimento editorial, de comportamento do usuário, se juntarem em menos janelas, e provavelmente janelas mais caras, só olhar a lógica do Netflix, que conseguindo aumentar por si só sua base de assinantes, tem elevado o preço de forma importante no Brasil ano a ano", conclui.

Confira os serviços disponíveis para assistir a partidas de futebol:

Premiere Futebol Clube/Globoplay - Principal serviço de pay-per-view para o futebol nacional. O torcedor consegue assistir todos os jogos do Campeonato Brasileiro dos clubes que têm acordo com a plataforma (apenas o Athletico (PR) não possui). Pode-se acompanhar também os campeonatos regionais e alguns confrontos da Copa do Brasil. O assinante gasta R$ 858,80 por ano.

DAZN – Serviço de streaming que oferece um jogo por rodada do Campeonato Inglês e a Copa da Inglaterra como principais opções para o torcedor. É o detentor dos direitos de transmissão de partidas da série C do Campeonato Brasileiro. Custo: R$ 238,80 por ano.

STAR+ - Streaming que vai contemplar os jogos da Liga Europa, Conference League e Premier League, além dos campeonatos de Portugal, Holanda, Escócia, Bélgica, Argentina e México, Ligas dos Campeões da Ásia e da Concacaf. O valor anual é R$ 329,90; Já o Combo Disney+ e Star, mensal, sai por R$ 45,90.

HBO Max - A plataforma de streaming por assinatura da WarnerMedia vai transmitir os jogos da temporada 2021/22 da Champions League e algumas partidas do Campeonato Brasileiro de futebol. Vale lembrar que o Grupo Turner é dono do HBO Max. Este novo serviço foi criado para aumentar o conteúdo oferecido ao assinante. Os valores mínimos variam entre R$ 19,90/mês, R$ 54,90/3 meses, ou R$ 169,90/12 meses.

EI Plus – É o streaming da operadora Turner. O torcedor paga R$ 166,80 por ano e tem à disposição as partidas da Liga dos Campeões, Eliminatórias Europeias e a Liga das Nações, além de alguns jogos do Campeonato Brasileiro.

Conmebol TV – É o pay-per-view da Libertadores e da Copa Sul-Americana. O torcedor desembolsa R$ 39,90 por mês para assistir as principais competições do continente. O serviço está disponível apenas na Claro ou Sky.

NSports - Primeira plataforma de streaming esportivo brasileira a criar os canais oficiais de cada entidade esportiva. A empresa hoje possui mais de 15 canais dos mais variados esportes com destaque para o Canal Olímpico do Brasil, junto ao COB, o Canal Vôlei Brasil, da CBV, que transmite a Superliga Banco do Brasil e a LNF TV, com transmissão da Liga Nacional de Futsal. A NSports também faz a produção de todos os jogos da Série A e B do Brasileirão em português para o exterior e já operou as plataformas OTT de grandes clubes do Brasil, como o Botafogo, Coritiba, Fluminense, Paysandu e Vasco. Já a transmissão da Série C do Campeonato Brasileiro é paga e sai no valor único de R$ 79,90 para todos os jogos da primeira fase da competição.

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