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Salão, invasão chinesa e CNH sem autoescola: como foi 2025 para o setor automotivo

Ano foi marcado pelo retorno do principal evento da indústria, ascensão dos clássicos e reviravolta nas regras de emissões na Europa

Ford Maverick Tremor: suspensão reforçada e piloto automático off-road (Ford/Divulgação)

Ford Maverick Tremor: suspensão reforçada e piloto automático off-road (Ford/Divulgação)

Rodrigo Mora
Rodrigo Mora

Colunista

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 08h00.

Mal 2025 havia começado quando a Audi relançou o A3 Sedan, outrora carro-chefe da marca no Brasil agora alinhado à atual identidade global da empresa. Seria o primeiro dos mais de 100 lançamentos que marcaram o setor automotivo no ano que passou.

Teve de tudo: SUV 1.0 com câmbio manual, superesportivo, híbrido, superesportivo híbrido, sedã de luxo, elétrico de luxo, elétrico de entrada, picape compacta, picape média, picape grande, ícone americano, ícone alemão, ícone italiano, ícone inglês...Teve até perua.

Honda WR-V, Renault Boreal e Volkswagen Tera se destacaram pelo impacto mercadológico e por desbravarem novos segmentos para suas fabricantes, como o desembarque da marca francesa no de SUVs médios. Com novidades custando de R$ 100 mil a R$ 8 milhões, o mercado nacional demonstrou mais uma vez diversidade, tanto de modelos, quanto de consumidores.

Por falar em diversidade, 2025 ficará marcado como o ano da “invasão chinesa” – real desta vez, e não a aventura de frágeis importadores de marcas obscuras da década passada. Jetour, GAC, Avatr, Geely, Leapmotor, Denza, Changan, MG e Omoda Jaecoo chegaram para reforçar o sotaque chinês cada vez mais falado no Brasil.

Boa parte dessas empresas já confirmou produção local, e o plano mais transformador será o da agora chamada Renault Geely do Brasil, que investirá R$ 3,8 bilhões em São José dos Pinhais (PR). Os recursos serão usados para a produção de novas plataformas eletrificadas e na renovação de produtos.

A irreversível expansão das marcas chinesas ficou evidente no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, outra característica de 2025. Realizado em novembro, o principal evento da indústria automobilística voltou após um hiato de sete anos. A ausência de marcas como BMW, Chevrolet e Volkswagen deu ainda mais destaque às chinesas que apresentaram seus modelos (quase sempre SUVs híbridos ou elétricos) aos 516 mil visitantes entre 22 e 30 de novembro.

“O Salão voltou da forma que ele merecia: prestigiado por marcas, autoridades e, principalmente, pelo público. O sucesso inconteste desta edição nos enche de orgulho e nos traz a responsabilidade de fazer um evento ainda melhor”, garante Igor Calvet, presidente da Anfavea, a entidade das fabricantes de veículos. O evento já está marcado para entre 30 de outubro e 7 de novembro de 2027.

Clássicos em ascensão

Contudo, o ano passado foi mais do que o embate entre fabricantes tradicionais e montadoras chinesas e a volta do Salão do Automóvel. Com um ano de vida, o Carde protagonizou um dos marcos do antigomobilismo nacional.

Em agosto, o museu de Campos do Jordão despachou três exemplares do seu acervo de mais de 500 veículos para a Monterey Car Week, o mais importante evento automotivo das Américas.

Acabou voltando da Califórnia (EUA) com dois troféus. Depois de um desafiador processo de restauração, a Ferrari F50 do museu – nada menos do que o segundo de três protótipos construídos antes da produção em série de 349 unidades – trouxe a primeira taça do The Quail: A Motorsports Gathering, que promoveu um concurso para celebrar os 30 anos do superesportivo.

A segunda veio do Pebble Beach Concours d’Elegance, clímax da Monterey Car Week, de onde o Isotta Fraschini Tipo 8A SS Guida Interna Sport 1928 do Carde saiu com o prêmio “Lap of the Luxury”.

Além disso, o museu ainda trouxe o Tucker 48 chassi 1003 (simplesmente o terceiro entre apenas 51 exemplares construídos) e começou, com as primeiras edições da Winter Sale e da Spring Sale, a pavimentar o caminho para se tornar referência também quando o assunto é leilão de clássicos de alto nível.

Um dos carros arrematados no último evento do tipo sediado no Carde, inclusive, foi o Omega CD Irmscher 1994. Arrematado por R$ 437,5 mil, o sedã é o primeiro produto do Chevrolet Vintage, programa criado pela General Motors para resgatar e restaurar clássicos da empresa, que completou 100 anos de Brasil. Presidente da companhia até o próximo dia 31, Santiago Chamorro garantiu que Chevrolet Vintage será mantido em 2026.

A GM finalmente embarcou no mercado que a Volkswagen enxergou há anos. Neste, a marca alemã ampliou o espaço que abriga seu acervo de exemplares históricos e deu início a um patrocínio ao Rally Clássico São Paulo.

Pra fechar o ano, a Federação Internacional de Veículos Antigos (FIVA) pela primeira fez realizou sua assembleia geral na América do Sul – no caso, em Salvador, na Bahia.

Carro sustentável e CNH sem autoescola

O ano também ficará marcado pelas intervenções do governo federal no setor automotivo. Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decretou o programa Carro Sustentável, que reduz o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobretudo para modelos populares, sustentáveis e econômicos. Integrado ao Mover (Mobilidade Verde e Inovação), tem validade até 31 de dezembro.

A busca por eficiência energética acelerou a corrida das fabricantes por modelos híbridos flex, sistema que Stellantis e Toyota já têm e que a Volks garantiu que terá neste ano. “A partir de 2026, todo novo Volkswagen desenvolvido pela nossa Engenharia e fabricado na Região América do Sul terá versões eletrificadas. Vamos oferecer híbridos em todas as modalidades possíveis: híbridos leves, híbridos e híbridos plug-in”, garantiu Ciro Possobom, presidente e CEO da fabricante alemã.

Mais polêmico foi o programa CNH Brasil, que estabelece novas regras para obtenção da carteira de habilitação e retira a obrigatoriedade da autoescola no processo. Segundo o Ministério dos Transportes, 16 Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) já adotaram o novo modelo e 46 mil pedidos foram realizados desde o lançamento do CNH do Brasil, no dia 9 de dezembro.

O Detran do Mato Grosso entrou na Justiça com pedido para suspender a vigência da resolução, mas perdeu.

Tarifaço e UE

O ano começou turbulento com o “tarifaço” de 25% imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre carros exportados para o país.

Para agravar a situação, um imbróglio envolvendo o governo chinês e a operação da gigante holandesa do setor Nexperia restringiu a oferta de semicondutores no mundo, o que poderia mergulhar o setor automotivo global em uma crise. De acordo com a Anfavea, a situação ainda não está normalizado, mas o risco de queda na produção por conta da falta de chips no Brasil foi reduzido.

Para fechar o ano, uma reviravolta: a União Europeia desistiu da proibição de carros a combustão. De acordo com as regras atuais, todos os carros novos a partir de 2035 devem ter zero emissões. Mas, de acordo com uma proposta da Comissão Europeia anunciada no último dia 16, a redução das emissões de CO2 será de 90% em relação aos níveis de 2021, em vez de 100% – o que dá fôlego para modelos híbridos plug-in e extensores de autonomia que queimam biocombustível neutro em CO2 ou combustível sintético.

Bye, bye

Entre as despedidas, talvez a mais marcante tenha sido a última unidade produzida do Jaguar F-Pace, saída da planta de Solihull, no Reino Unido, em meados de dezembro. A fabricante inglesa fica portanto sem produtos até a chegada da versão de produção do conceito Type 00, prevista para o próximo ano. Será o início de uma nova era para a marca, que terá apenas modelos de elétricos de luxo.

Demos adeus também ao Ford Focus, cuja última unidade fabrica saiu de uma planta na Alemanha em novembro. O mercado nacional não contava com o hatch desde 2019, quando a Ford interrompeu a produção do modelo na Argentina.

O ano de 2025 ainda marcou os 30 anos do BMW Group Brasil, 50 anos do decreto que criou o Proálcool (Programa nacional do Álcool), 50 anos do Volkswagen Polo – que também chegou à marca de 1 milhão de unidades produzidas neste ano – e os 100 anos da General Motors do Brasil.


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