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Os erros e acertos na estreia da Cadillac no Brasil

Marca de luxo da General Motors chegará ainda em 2026 com três SUVs elétricos – mas nenhum deles é o Escalade

Desembarque da Cadillac no Brasil: reflexo no mercado de clássicos (Divulgação/Divulgação)

Desembarque da Cadillac no Brasil: reflexo no mercado de clássicos (Divulgação/Divulgação)

Rodrigo Mora
Rodrigo Mora

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Publicado em 15 de março de 2026 às 12h16.

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Estacionado na entrada do restaurante Casa Fasano, em São Paulo, um reluzente Cadillac Biarritz 1959 dá boas-vindas aos jornalistas que foram ali na penúltima quinta-feira (5) receber a notícia que aguardavam há muito tempo: a General Motors vai finalmente vender modelos da sua marca de luxo no Brasil.

Integrante do acervo do Museu Carde, o símbolo máximo dos modelos “rabo de peixe” expressava a opulência e a ousadia da marca fundada em 1903 e adquirida pela General Motors em 1909.

Contudo, o conversível – equipado com um enorme motor V8 de 6,4 litros – não poderia ser mais antagônico aos três representantes da estreia da Cadillac no Brasil, os SUVs elétricos Optiq, Lyriq, Vistiq, este o topo de gama com 5,22 metros de comprimento e 600 cavalos de potência. Preços, datas de lançamento e configurações não foram revelados.

“A introdução da Cadillac no Brasil é uma decisão estratégica construída com base na relevância do mercado nacional e em sua importância dentro da nossa visão regional de longo prazo. O país reúne maturidade no segmento e ambiente adequado para a expansão de uma marca global de luxo”, afirma Thomas Owsianski, presidente da GM América do Sul.

Desembarque da Cadillac no Brasil: reflexo no mercado de clássicos (Divulgação/Divulgação)

Mas e o Escalade?

Ícone da marca no século XXI, o Escalade por ora não foi escalado. “A Cadillac terá um grande desafio no mercado nacional, que é a competição com marcas tradicionais de luxo que já possuem seu mercado bem definido e as novas que buscam espaço, em especial as chinesas. A marca se destaca no segmento de SUVs extragrandes, e aqui não haveria nenhum competidor à altura”, pondera o consultor automotivo Milad Kalume Neto.

“Claro que a Cadillac terá outros trunfos em determinados segmentos, como sua chegada à Fórmula 1, o que poderá ajudá-la num país que tem muito apreço por esse esporte”, acrescenta.

Já de acordo com a GM, “a operação contará com centros de experiência em Brasília, Curitiba e São Paulo”. Ou seja, nada de concessionárias compartilhadas com a Chevrolet.

O que para o Gerente de Marketing da LN Urbanismo é um acerto, com paralelos no universo imobiliário. “No segmento de luxo, temos visto um movimento de abandono da ostentação e busca por experiências, e a experiência no ponto e venda tem sido imprescindível para transmitir os valores da marca. O mundo do luxo vive muito mais o físico”, avalia Júnior Garrido, especialista no setor mais nobre da cadeia econômica.

Impactos no antigomobilismo

O desembarque da Cadillac no Brasil refletirá também no mercado de clássicos, no entendimento de Roberto Suga, presidente do Conselho Consultivo da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA). “Acho que resgata a imagem da Cadillac, e os consumidores de exemplares antigos passam a ser potenciais consumidores de modelos novos”, prevê o também colecionador da marca.

Diretor de Cultura e Juventude da mesma federação, Marco Pigossi corrobora a visão de Suga: “Quanto mais a marca se faz presente, mais ela continua essa trajetória histórica, que acaba de fato impactando o preço. Basicamente, há uma relação muito intensa entre o que a marca já foi e o que a marca é hoje, e hoje a marca tem uma expressividade que com certeza acaba gerando maior demanda pelos seus carros, sejam modernos ou antigos”, acrescenta Pigossi, também à frente da Veloce Motori Classici, especializada em clássicos de luxo.

De certa forma, a Cadillac se deve à Henry Ford. Ao sair brigado de sua segunda companhia automotiva, a Henry Ford Company, o empresário abriu espaço para o engenheiro Henry M. Leland, conhecido por seu perfeccionismo.

Sem Ford – que em 1903 fundaria a Ford Motor Company – na jogada, era preciso rebatizar a empresa, que se tornou então Cadillac Automobile Company, em homenagem a Antoine de Lamothe-Cadillac, o explorador francês que fundou Detroit em 1701.

E talvez o mais curioso: depois de vender a Cadillac à GM, Leland fundou a Lincoln, o braço de luxo da Ford.

Modelos da marca começaram a desembarcar no Brasil na década de 1910, através de importadores independentes. Nos anos seguintes, chegou a ter uma linha de montagem própria na fábrica da GM em São Caetano do Sul (SP), mas o presidente Getúlio Vargas determinou restrições às importações (a fim de estimular a indústria nacional), e assim a Cadillac foi desaparecendo do mercado.

Entre as principais invenções de seus engenheiros estão a partida elétrica e o primeiro motor V8 produzido em larga escala – isso sem falar na vanguardista série LaSalle e no glorioso “rabo de peixe” mais alto de todos, com 114 cm.

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