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O que se sabe e o que falta esclarecer sobre a morte de Leandro Lo

Octacampeão mundial de jiu-jitsu foi assassinado na madrugada de domingo (7), com tiros na cabeça. Autor dos disparos, policial militar Henrique Otávio Oliveira Velozo foi preso no mesmo dia
No funeral, lutadores apareceram de quimono em sua homenagem. (Leandro Lo - Twitter/Reprodução)
No funeral, lutadores apareceram de quimono em sua homenagem. (Leandro Lo - Twitter/Reprodução)
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Agência O GloboPublicado em 09/08/2022 às 18:54.

A polícia de São Paulo investiga o assassinato de Leandro Lo do Nascimento Pereira, de 30 anos. O octacampeão mundial de jiu-jitsu foi morto com um tiro na cabeça na madrugada de domingo ,7, durante um show do Pixote no Clube Sírio, em Indianópolis, na zona sul da capital paulista.

Embora ainda tivesse sinais vitais, Leandro teve a morte cerebral detectada no mesmo dia no Hospital Saboya, para onde foi levado. No funeral, lutadores apareceram de quimono em sua homenagem.

Uma vaquinha foi feita por amigos e toda a arrecadação será destinada a um instituto, que levará seu nome e será mantido pela família e pessoas próximas, para manter vivo o legado do atleta na modalidade.

Como foi o crime?

De acordo com informações no boletim de ocorrência, Henrique Otávio Oliveira Velozo, tenente da Polícia Militar de São Paulo, foi até a mesa em que Lo estava com cinco amigos, pegou uma garrafa em cima da mesa, chacoalhou e fez insinuações.

Em ato contínuo, tentou sair com a bebida na mão, quando Leandro o imobilizou, o deixou no chão e pegou a garrafa de volta. O lutador, de acordo com testemunhas, pediu para que o homem fosse embora. Logo depois, Henrique Velozo voltou e atirou contra a vítima por duas vezes. Além dos disparos, o policial chutou Leandro Lo no chão, mesmo com o lutador desacordado.

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O acusado foi preso?

Henrique Velozo se apresentou à Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo no domingo e foi conduzido a uma delegacia, onde prestou depoimento. Uma audiência de custódia foi feita, e a Justiça determinou prisão temporária de 30 dias ao tenente. Ele está preso no presídio Romão Gomes, no Jardim Tremembé, na zona norte de São Paulo.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), em nota enviada a O GLOBO, o PM foi indiciado por homicídio qualificado por motivo fútil. O caso segue em investigação no 16° DP, na Vila Clementino.

Quem era o assassino?

Henrique Otávio Oliveira Velozo era tenente da Polícia Militar de São Paulo. Já foi condenado por agressão e desacato a autoridade na boate The Week, na Lapa, zona oeste da capital paulista, em 2017. Na ocasião, com sinais de embriaguez, ele desferiu socos e ofensas ao soldado Flávio Alves Ferreira.

Aos 30 anos, ele também praticava jiu-jitsu e é faixa roxa na arte marcial. Com a repercussão do caso, Velozo apagou perfis nas redes sociais antes de se entregar à Corregedoria.

Henrique Velozo idealizou um projeto para a prevenção de crimes contra as mulheres. O curso, chamado "Segunda Força - A Hora da mudança", foi desenvolvido em parceria com a Associação de Oficiais Militares do Estado de São Paulo, e divulgado a partir de dezembro de 2019. A ideia era ministrar aulas de defesa pessoal e inteligência emocional das mulheres.

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Policial de folga pode portar arma?

A Lei Federal nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, define o porte de arma de fogo como inerente à função de policial militar. Por isso, em serviço ou não, a arma visa a segurança do próprio PM e dos demais cidadãos. Quando está de folga, o policial segue com suas atribuições, portanto, não há impedimento para adentrar ou permanecer armado em locais de aglomeração de pessoas. A indicação em forma de restrição é apenas a discrição da arma.

O que falta esclarecer sobre o crime?

A Polícia ainda investiga a motivação do crime. A investigação corre em sigilo de Justiça, e as famílias de Leandro Lo e do acusado, Henrique Velozo, pediram aos seus advogados que evitem entrevistas por enquanto.

A mãe de Leandro, Fátima Lo, acredita que o crime foi premeditado, e que Henrique Velozo foi ao local do assassinato já com a intenção de matar o octacampeão mundial de jiu-jitsu. Um dos maiores nomes da história da modalidade, Leandro Lo era bastante conhecido pelos praticantes.

"Ele era a alegria em pessoa e uma pessoa que fez isso com ele... E a pessoa conhecia ele, porque era do jiu-jitsu também, e acabou acontecendo. A pessoa já foi para isso, com certeza já foi pra isso, só que a gente não sabe o porquê", falou Fátima Lo para a TV Globo. "Não tem explicação, a forma estúpida que aconteceu. Porque ele provocou uma confusão gente, justamente para o Leandro reagir e nessa ele tirou a vida do meu filho."

(O Globo)

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