O que esperar da 44ª Mostra de Cinema de SP, agora por streaming?

Maior evento de cinema da cidade, talvez do Brasil, está confirmado para o período de 22 de outubro a 4 de novembro

Nas últimas semanas, vinham pipocando informações esparsas sobre a 44ª Mostra de Cinema de São Paulo. O maior evento de cinema da cidade, talvez do Brasil, está confirmado para o período de 22 de outubro a 4 de novembro, mas agora uma nota oficial informa que, por causa da pandemia, os títulos selecionados serão exibidos remotamente, no streaming, por meio de uma plataforma exclusiva, realizada pela empresa Festival Scope/Shift72.

Para seu conhecimento, a empresa também é responsável pelas plataformas dos festivais de Toronto e Tribeca, e também pelo mercado de Cannes.

Comece a fazer suas contas — o ingresso para cada filme custará 6 reais. A mostra também terá sessões presenciais no Drive-in Petra Belas Artes, no Memorial da América Latina. Títulos gratuitos estarão disponíveis nas plataformas do CineSesc e da Spcine. Master classes e lives com profissionais também estão previstas, à espera de confirmação.

O que já se sabe é que o pôster desta edição será criado por um autor que tem participado com frequência da mostra, o chinês Jia Zhangke. Em fevereiro, Jia mostrou seu novo filme em Berlim. Nadando Até o Mar Ficar Azul é o melhor dos filmes recentes de Jia, já que as incursões do cineasta pelos gêneros andam longe da unanimidade. Trata-se de um documentário sobre a disseminação da leitura em áreas rurais da China.

Para tanto, Jia dirige sua câmera para o festival de literatura que ocorre na cidade em que nasceu, Shanxi. Filma rostos, recolhe histórias. Autores, o público, e tudo se divide em capítulos — Pai, Mãe, Comer, Viver. Toda a beleza da narrativa está ligada à lembrança sobre como a comunidade, condenada a morrer de fome, encontrou formas coletivas de voltar a produzir. Com o alimento para o corpo, vem também o da alma — a literatura.

Não poucos críticos em todo o mundo identificam Jia Zhangke como o maior autor em atividade no mundo. Sua obra, seja documentária ou ficcional, tem oferecido o mais vivo registro das transformações ocorridas na China pós-comunista. Para se entender o país, há que prestar atenção em filmes como Still Life/Em Busca da Vida e O Mundo.

Por falar em esforço coletivo, a mostra atribui seu Prêmio Humanidade deste ano aos funcionários da Cinemateca Brasileira, que têm se mantido unidos em torno da permanência da instituição que sofre as consequências da falta de planejamento e apoio à cultura pelo governo federal. Sem salário desde o ano passado, sem dinheiro para manutenção, a Cinemateca ameaça desaparecer com a memória audiovisual do país.

O Prêmio Humanidade é um belo reconhecimento, valendo lembrar que, em anos anteriores, já destacou artistas da importância de Eduardo Coutinho, Abbas Kiarostami, Elia Suleiman e Amos Gitai.

A 44ª Mostra vai exibir cerca de 150 títulos dos mais diversos países. Até o momento, estão confirmadas produções da Alemanha, Argentina, Bolívia, Canadá, China, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irã, Japão, Líbano, México, Noruega, Palestina, Portugal, Suíça, Síria, Turquia e Brasil, naturalmente.

Haverá uma homenagem a Fernando Coni Campos, com a apresentação, em cópia restaurada, de um dos mais belos filmes desse diretor que morreu em 1988, aos 55 anos, quando sua obra começava a ganhar reconhecimento. Coni Campos foi artista visual, escritor, roteirista e diretor. Não se identificou com nenhuma corrente do cinema brasileiro. Desenvolveu sua obra à margem do Cinema Novo, com forte pegada experimental, mas justamente o filme que será exibido na mostra — Ladrões de Cinema, de 1977 — marca sua tentativa de fazer um cinema popular, com narrativa mais linear.

Interpretado por Milton Gonçalves, Lutero Luiz, Antônio Pitanga e Wilson Grey, mostra grupo de moradores de uma comunidade do Rio que rouba o equipamento de uma equipe de Hollywood e resolve produzir um filme para refletir a realidade brasileira da época, com o tema da Inconfidência Mineira.

Ladrões de Cinema iniciou uma tendência que prosseguiu com Louco por Cinema, de André Luiz Oliveira, nos anos 1990, e Saneamento Básico — O Filme, de Jorge Furtado, nos 2000, todos utilizando a fórmula metalinguística do filme dentro do filme para refletir o Brasil. E o importante é que a mostra já está na rua, oficialmente relançada para esta edição que será histórica. O ano em que a mostra se tornou remota, sem perder — espera-se — o carinho do público cinéfilo da cidade e, agora, do Brasil.

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