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Meia arrastão: do século 19 a hit no Carnaval 2023

Dos cabarés franceses ao Carnaval brasileiro. Conheça a história da meia arrastão na moda

Meia arrastão é usada como top e luvas durante o Carnaval. (Alexandre Schneider/Getty Images)

Meia arrastão é usada como top e luvas durante o Carnaval. (Alexandre Schneider/Getty Images)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 23 de fevereiro de 2023 às 10h21.

Feita com um tecido elástico com formato de grade, a meia arrastão ganhou novos formatos durante o Carnaval como vestidos, macacões, tops, bermudas e luvas. Ainda que apareça em diversos tamanhos de tramas e cores, do verde neon ao preto, a história da peça é centenária.

Não é exata a data em que a peça surgiu no guarda-roupa feminino, mas a meia-arrastão começou a aparecer no final da era vitoriana, um pouco antes de 1900.

Porém, a peça teve seu ápice durante a Belle Époque nos anos 1920, com as melindrosas, que podiam dançar de forma mais confortável com as meias flexíveis. "A meia arrastão tem um contexto de rebeldia e sensualidade. No século 19 vemos uma conexão direta da meia arrastão com mulheres artistas dos cabarés franceses. As dançarinas usavam as meias arrastão por questões de mobilidade e até de conforto térmico", comenta a consultora de imagem Ana Vaz.

Além das meias furadas, outras características rebeldes para a época, como saias e cabelos curtos, completavam o estilo das mulheres. "Durante muito tempo a meia arrastão tinha uma conexão direta com a ideia de mau gosto por ser usada por mulheres que, diante dos olhos da sociedade, não tinham um comportamento adequado", diz Vaz.

Já na década de 1950, a meia arrastão retorna ao vestuário feminino, desta vez com as pin-ups. "Então novamente as meias são associadas com a ideia de sensualidade, pois as pin-ups são mulheres fotografadas em poses e vestuários sensuais, assim, de novo a meia está conectada com a ideia de sensualidade e transgressão".

Atrizes como Bettie Page, Marilyn Monroe e Sophia Loren são referências com o uso da peça, com fotos posadas como pin-ups.

Anos mais tarde, no movimento punk, as meias retornam no vestuário feminino e masculino. "Durante o movimento de contracultura e de questionamento da vida perfeita vemos a mesma meia sendo usada de uma outra maneira", explica Vaz. Já nos anos 1980, a cantora Madonna, ainda em ascensão, passa a usar a peça.

Madonna: desde a década de 1980 a cantora usa meia arrastão em suas apresentações. (Mike Coppola/Getty Images)

Décadas mais tarde, esta peça volta à tona durante o Carnaval brasileiro. No Mercado Livre, as buscas por meias arrastão coloridas cresceram 549% comparando a primeira quinzena de fevereiro com a média diária de janeiro.

Além de ser uma festa que exala sensualidade, o Carnaval de 2023 também é um marco após dois anos sem festa. "A meia arrastão é um item que faz parte do repertório do Carnaval há bastante tempo, mas pensando no contexto pós pandemia, este é o primeiro Carnaval que vivemos de fato. A moda está propondo festa, corpo à mostra, sensualidade, ou seja, depois de dois anos com as pessoas reclusas usando roupas mais largas e confortáveis, como o moletom, a moda passa a propor saltos altíssimos até tecidos como cetim e roupas com recorte e transparências, como a meia arrastão", explica a consultora.

Este também é um momento em que as marcas exploram a fluidez de gênero em suas roupas, com isso, homens e mulheres compartilham a meia arrastão pelas ruas.

Meia arrastão nas passarelas

Da contracultura às passarelas, a meia arrastão ganha versões de luxo. No desfile de primavera de 2022, a Chanel apresentou peças teladas, que lembram a meia arrastão. Já em outubro do ano passado, a marca francesa apresentou novamente a peça, desta vez em diferentes versões: abaixo dos joelhos, nas canelas e cobrindo toda a perna.

Voltando alguns anos, em 2015, Proenza Schouler apresentou uma nova geração de meias arrastão grossas, quase futuristas, sob casacos e vestidos na altura do tornozelo. E em 2016, Lanvin, Jason Wu e Junya Watanabe também apresentaram variações da peça em suas coleções.

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