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LVMH faz faxina e dança das cadeiras ao finalizar compra da Tiffany & Co

Anthony Ledru volta à marca agora como presidente-executivo. Trabalhará ao lado de Alexandre Arnault, filho do dono e que deixa a chefia da Rimowa

Fachada da Tiffany (Alex Tai/Getty Images)

Fachada da Tiffany (Alex Tai/Getty Images)

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Daniel Salles

Publicado em 8 de janeiro de 2021 às 09h58.

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A maior aquisição da história do luxo foi concluída nesta quinta-feira (7) e provocou uma dança das cadeiras no comando do grupo mais poderoso do mundo, o Louis Vuitton Moët Hennessy, que, dado o tamanho do negócio, poderia agregar à razão social o sobrenome Tiffany & Co.

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Após meses de vaivém e uma ruidosa disputa judicial, a joalheria americana foi comprada por 15,8 bilhões de dólares. O martelo dos acionistas aceitando a oferta do magnata francês Bernard Arnault de desembolsar 131,5 dólares pelo papel da marca foi batido em 30 de dezembro, mais de um ano após a primeira oferta de 135 dólares, feita antes da pandemia de Covid-19 e revista neste ano.

Uma dança das cadeiras já foi anunciada. Sai o trio de ferro da grife nos últimos três anos, composto pelo presidente-executivo Alessandro Bogliolo, o diretor artístico Reed Krakoff e a diretora-chefe Daniella Vitale, para ceder a um com sotaque francês acentuado.

Encabeça o time Anthony Ledru, que chefiou as operações da Tiffany & Co. na América do Norte entre 2013 e 2017, antes de se mudar para a direção comercial da Louis Vuitton. Ele volta à marca agora como presidente-executivo.

Trabalhará ao lado de Alexandre Arnault, filho do dono e que deixa a chefia da grife de malas do grupo, a alemã Rimowa, para assumir aos 28 anos o posto de vice-presidente de produtos e comunicações da joalheria. No lugar do herdeiro no comando da marca de acessórios entrará Hugues Bonnet-Masimbert, que em 25 anos nos quadros do LVMH já passou por Berluti, Celine e Loewe.

Junto à dupla estará ninguém menos que o conselheiro pessoal da família Arnault, Michael Burke. O agora ex-CEO da Louis Vuitton torna-se, a partir de hoje, chairman da Tiffany & Co. no conselho de diretores. Sua experiência ajudará na transição e no desenvolvimento estratégico da grife.

As mudanças foram recebidas com entusiasmo pelo mercado e as ações da LVMH encerraram o dia com valorização de 2,59%, cotadas a 515,30 euros o papel.

E não é por menos. Além de dar fim ao imbróglio que quase minou o negócio e envolveu a Suprema Corte de Delaware (EUA), num processo movido pela Tiffany & Co. quando Bernard Arnault, em setembro passado, se recusou a colocar o anel de noivado e pagar o dote de 16,2 bilhões de dólares prometido em novembro de 2019, a marca se casa em bom momento.

As vendas de Natal, que puxaram vendas do luxo globalmente segundo informações preliminares que circulam no mercado de alto padrão, cresceram 2% em relação ao período de festas de 2019, que nesse segmento compreende o espaço entre os dias 1o de novembro e 31 de dezembro.

Só a China continental apresentou, segundo a empresa, aumento de 50% nas vendas líquidas, e a região de toda Ásia-Pacífico, incremento de 20% nas vendas. Os números foram puxados para baixo pelo desempenho de -8% do mercado europeu e de -5% das Américas no comparativo com as vendas dessas regiões no ano anterior.

Globalmente, porém, os números seguem uma recuperação registrada já no terceiro trimestre, quando a joalheria voltou a faturar 1 bilhão de dólares e deixou a zona de perigo do primeiro semestre tomado por vendas em queda livre.

Espera-se que o trio Ledru-Arnault-Burke leve à marca um espírito mais contemporâneo, focado em crescimento digital e desprendido da pecha de marca dos anéis de noivado, dos acessórios de prata e do diamante amarelo imortalizado pelo filme “Bonequinha de Luxo” (1961).

A etiqueta da caixinha azul, a “blue box” que identifica a grife e cuja tonalidade recentemente virou bolsa, pode apostar alto no segmento de relojoaria, “fine jewelry”, com peças feitas à base de ouro, e “high jewelry”, de pedras avaliadas em preços estratosféricos e uma seara explorada há décadas por Chaumet e Bvlgari, ambas joalherias do mesmo grupo LVMH.

Ainda não foi anunciado se haverá remanejamento para o posto deixado por Anthony Ledru na Louis Vuitton, e nem quem assumirá o cargo mais cobiçado da grife, agora vago com a saída de Michael Burke.

Já está claro, porém, que ao retirar as duas figuras-chave da marca com maior receita e cujo nome batiza o conglomerado, Bernard Arnault sinaliza que já vê –e cobrará– um horizonte brilhante cheio de quilates para seu mais novo xodó.

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