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Em sua 8ª Olimpíada, Jaqueline Mourão faz história no esporte brasileiro

Com sua oitava participação em Jogos Olímpicos, Jaqueline Mourão vai superar as sete edições disputadas por outros atletas brasileiros: Robert Scheidt (vela), Rodrigo Pessoa (hipismo) e Formiga (futebol)

 (PABLO SAN ROMAN/AFP)

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AFP

7 de fevereiro de 2022, 13h26

Jaqueline Mourão escreveu seu nome na história do esporte brasileiro: aos 46 anos, ela disputará em Pequim-2022 sua oitava edição dos Jogos Olímpicos, três de Verão, no ciclismo, e cinco de Inverno, no esqui e biatlo.

"Estou muito feliz de fazer história em meu país como a atleta brasileira com mais participações olímpicas. Não me considero uma lenda e sim uma apaixonada pelo olimpismo, que trabalha forte por seus objetivos. Sim, fiz história no Brasil e estou muito feliz", disse a atleta à AFP.

Ciclismo e esqui

Jaqueline, que disputará três provas de esqui cross country, entre 8 e 16 de fevereiro, duas individuais e uma por equipes, já competiu no mountain bike nos Jogos de Verão de Atenas-2004, Pequim-2008 e Tóquio-2020, e no esqui cross country em Turim-2006, Vancouver-2010, Sochi-2014, onde também disputou a prova de biatlo, e Pyeongchang-2018.

"Me sinto mais feliz que nas sete participações anteriores, pois estou em boa forma, consegui meu melhor resultado no estilo clássico, com duas pratas na Balkan Cup. Espero sair ainda melhor em Pequim na prova de estilo clássico de 10 km. E farei história de novo. É a primeira vez que o Brasil consegue a classificação para o sprint por equipes. Será algo emocionante", disse a atleta, que treina no Canadá.

O Brasil competirá pela primeira vez no sprint por equipes e sua companheira será Eduarda Ribera, de apenas 17 anos, nascida em 2004, poucos meses antes de Jaqueline disputar sua primeira Olimpíada, em Atenas.

Com sua oitava participação em Jogos Olímpicos, Jaqueline Mourão vai superar as sete edições disputadas por outros atletas brasileiros: Robert Scheidt (vela), Rodrigo Pessoa (hipismo) e Formiga (futebol).

"Sou a garota que sonhava em ter uma máquina para acompanhar infinitamente o pôr do sol e que finalmente realizou seu sonho através do esporte, de viajar pelo mundo", disse a brasileira à AFP há quatro anos.

Em Pequim, ela tentará obter seus melhores resultados nos Jogos de Inverno, nos quais sempre ficou entre as posições 64 e 74, mas será difícil superar seu melhor desempenho nos Jogos de Verão: em Atenas-2004 ela ficou em 18º lugar no mountain bike e em Pequim-2008 foi a 19ª.

Seu nome, Jaqueline, foi escolhido por sua mãe como uma homenagem à esposa do presidente americano John F. Kennedy.

Quando começou no ciclismo, aos 16 anos, um técnico tentou convencê-la a desistir do esporte, mas ela ignorou o "conselho" e seguiu sua trajetória, que resultou no recorde de participações de um atleta do Brasil nos Jogos Olímpicos.

E como o tempo mostrou, nem o técnico da adolescência nem a asma, contra a qual ela luta desde a infância, conseguiram parar Jaqueline Mourão.